O gasoduto e o Meio Ambiente
Nos últimos meses, tenho visto diversas matérias sobre o envolvimento de políticos e entidades representativas do setor produtivo, em defesa da extensão do gasoduto Brasil-Bolívia até Uberlândia. É importante dizer, até porque estamos na Semana do Meio Ambiente, que o gás natural é um combustível fóssil (não-renovável como o petróleo), empregado na indústria para geração de energia elétrica ou calor pela sua queima, ou como combustível em carros adaptados, especialmente táxis. Sem dúvida, o gás natural é um combustível mais limpo e menos poluente do que o óleo queimado nas indústrias ou a gasolina dos carros, mas não deixa de emitir os GEE’s (Gases do Efeito Estufa), tão mencionados hoje por causa do Aquecimento Global. Por isso, me parece um tanto contraditório, falar com tanto afinco em gasoduto, quando Uberlândia deveria buscar um desenvolvimento mais limpo, sustentável.
Quando a maioria dos países do mundo troca sua fontes de energia por combustíveis renováveis. Quando as cidades soluções de baixo carbono. Aqui, estamos ampliando o consumo de um combustível não renovável e de duvidoso custo. Custo duvidoso porque, o valor do metro cúbico de gás natural varia conforme a elevação do barril do petróleo, os custos de produção (é preciso extrair gás de reservas distantes) ou mesmo de problemas políticos com a Bolívia. Além disso, há um custo ambiental e financeiro para implantar um gasoduto: desmatamento de áreas de preservação, desapropriações de fazendas e áreas urbanas, além de altos valores de manutenção e segurança dos dutos que ficam sob a terra. Será que alguém já fez as contas que quanto custará para os cofres públicos, para o meio ambiente e toda a sociedade, esse gasoduto? Será que não fica mais em conta investir em fontes alternativas de energia?
Interessante notar que não houve nenhum empenho dos mesmos políticos ou das entidades para aproveitamento do biogás gerado pelo nosso aterro sanitário em Uberlândia, quando do processo de licenciamento ambiental do novo aterro. Se há tanta preocupação em gerar energia com gás, por quê não aproveitar o gás gerado a partir do lixo? Ele também gera energia elétrica nas residências ou calor para indústrias. A cidade de São Paulo, por exemplo, sem ter investido um centavo sequer graças à parceria com um empresa privada em troca da divisão dos lucros já recebeu R$ 71 milhões somente em créditos de carbono com o aproveitamento do biogás gerado nos aterros Bandeirante e São João. Esse biogás ainda gera energia elétrica suficiente para abastecer uma cidade como Uberlândia, de 600 mil habitantes.
Além disso, no ano passado, o Governo de Minas e a Cemig lançaram o Atlas Eólico do Estado, destacando um potencial entre 10 e 40 GW ano ano (pra se ter uma ideia, Belo Monte prometegerar 11 GW). Um das regiões do Estado com potencial eólico viável, é o Triângulo Mineiro, por causa da altitude de algumas áreas e da infraestrutura de energia (estações, linhas de transmissão, etc) instalada. Acredito que é hora de discutirmos seriamente os impactos financeiros e ambientais de um gasoduto que elevará nossas emissões de gases para a atmosfera, antes dessa implantação, possibilitando que possamos avaliar alternativas ambientalmente mais sustentáveis.
Élisson Prieto
Professor do Instituto de Geografia da UFU
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Xadem disse:02/06/11 7:42
Élisson, parabéns pelo artigo.
Já passou, mesmo, da hora de investimento em energias alternativas e sustentáveis.
Conte comigo para buscar a implantação das mesmas.
Xadem
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Mário Borges disse:03/06/11 16:50
Senhor Prieto , seu ponto de vista é legitimo, porque a nossa UFU não toma a iniciativa de um projeto para o Triângulo ?
Comentários (2)