Ponto de Vista

Envie seu ponto de vista

Ponto de Vista Escreva você também para o Ponto de Vista. O artigo deve ter no máximo 3300 caracteres com espaço. A coluna é publicada de segunda-feira a domingo.

20/06/2011 6:10

Acidentes e impedimentos

Nos principais meios de comunicação, uma notícia surpreendente, no maio que se findou, José Sarney, senador quase vitalício desta República, explica a não presença de conteúdo sobre o impedimento de Fernando Collor em 1992 em exposição dos principais fatos deliberados no Senado: o impedimento não teve representação significativa “visto ter sido um acidente”.

A questão posta é se o acidente foi por termos eleito FCM ou se o acidente foi o fator impedimento, organizado por importantes meios de comunicação e pela direitona, que ficou alijada da comilança do erário público concentrado na participação familiar, que esta, como núcleo mais importante da família, deve ser preservada e protegida. Afinal, os nepóticos não defendem o empreguismo de parentes justificando a formação e competência da esposa ou dos filhos?
Após quase 20 anos, finalmente vem a público um homem de notório saber (pertence à Academia Brasileira de Letras… Assis revira-se na cova!) informar que algo que ocorreu não deveria ter ocorrido. Isto é acidente, o imprevisto, o improvável, a coisa que ocorre sem o nosso controle, algo que beira o sobrenatural, pois foge ao nosso controle.

Aquilo que imaginávamos agora é revelado. Não foram os cara-pintadas que derrubaram o Collor, tampouco a organização dos movimentos populares. Foram aqueles mesmos que o colocaram no poder: as zelites, por meio de dois fortes veículos de comunicação a “Veja” e a Globo, como todos nós temos conhecimento.

O impedimento foi realmente um acidente, um equívoco que a diretoria procedeu e posteriormente aprendeu a lição, pois evitou, como tem evitado uma propalada forma de “participação democrática” (sic!), as CPIs. As CPIs, em geral, buscam investigar fatos que nossos homens de colarinhos brancos, nossos representantes cidadãos (vou abusar no sic!) efetivam e se destacam na imprensa por realizar algumas benfeitorias para seus entes queridos.

A exemplo do enriquecimento ilícito, de desvio de verbas de merenda escolar, concentração de poços artesianos em seus latifúndios, emendas parlamentares que, em geral, não resultam em “b.” nenhuma (a não ser para seus cabos eleitorais), bom manuseio com a negociação de informações (tráfico de influências) etc.

Vale aqui ressaltar que o tráfico de influências mata mais que nosso tráfego mal-educado, esburacado e mal sinalizado e mais do que o tráfico de drogas.

As CPIs — destaque-se — serviriam para emendar os canalhas que, de alguma forma, estão em algum dos poderes e que fazem malversação do dinheiro público e da coisa pública. Punidos, devem se execrados da vida pública por fazer parte de quadrilhas.

O acidente não se repetiu quando do escândalo da compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (1997), tampouco se repetiu quando das denúncias dos mensalões imutáveis e indeterminados durante o governo de Luiz Ignácio Lula da Silva (2005). Agora (2011)…

Repete-se outro escândalo a de enriquecimento súbito de Antonio Palloci, atuante militar na Casa Civil. Caiu, mas não levou ninguém. Mas, é claro, dentro da lógica incidental, nossos parlamentares (pra lamentar) como bons cozinheiros aprenderam a culinária: CPI é um ingrediente a mais para a pizza.

Antonio Bosco de Lima
Professor na Faced/UFU

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.