Pra frente, Brasil!
Das duas uma: há muito tempo o Brasil está em guerra contra si mesmo, matando e deixando matar em decorrência da inoperância, menosprezo e medo de quem é pago para cuidar da saúde e da segurança de todos nós ou já se esqueceu da Ordem e pensa unicamente no Progresso de alguns poucos e privilegiados brasileiros! Enquanto isso a massa segue em sua sinistra caminhada sentindo-se enganada e manipulada por projetos de lei tão estapafúrdios (ou nem tão urgentes) em detrimento do bem-estar de centenas de milhares de famílias, como é o caso daqueles que visam à descriminalização do uso de drogas e a diminuição de penas para crimes contra a sociedade. E os preparativos para a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos continuam servindo de mote para governistas e aliados realizarem viagens internacionais, enquanto participando de recepções regadas a utopias e falsas relações interpessoais.
Como em um grande e concorrido baile de máscaras, vivemos hoje um clima “retrô” de “Pra Frente Brasil”, fazendo ressuscitar um sentimento de patriotismo que espocou e chegou às alturas durante as construções e as posteriores inaugurações de obras faraônicas como a Transamazônica, a Ponte Rio-Niterói, a usina nuclear de Angra dos Reis e a usina hidrelétrica de Itaipu; vivemos, hoje, um clima gerado pelo “oba-oba” e “balaco-baco”, originados a partir de programas como o Bolsa-Escola, o Bolsa-Família e outras ações sociais do tipo “engasga-lobo” ou “me-engana-que-eu-gosto”.
Sente-se, sim, a falta de Homens (com H maiúsculo) no governo federal, que apresentem projetos de lei contundentes e comprometidos até ao pescoço com a saúde e a segurança de quem leva esse país e o seu governo nas costas. O povo tem muita sede de justiça, pois está cansado de parcialidades e nepotismos, tapinhas nas costas, sorrisos amarelos e frases de efeito, que emolduram fingidos sentimentos por tudo de ruim que aí está. Quem viveu e sentiu a década de setenta faria uma analogia melhor a esse respeito.
Aliás, esse tipo de comportamento do nosso governo remete-nos a uma conhecida frase de Dom Pedro I em uma carta a João Severiano Maciel da Costa, ministro do Império e (então) futuro Marquês de Queluz ao final de um conselho que lhe foi dirigido:”…você já governou e (por isso) sabe muito bem como se engana o povo”. Vivemos em um país onde somente uma tragédia sem precedentes e na qual mais de uma dezena de crianças foram assassinadas faz descobrir, vir à tona, um desleixo e uma indolência (condenáveis) de quem não quer ou não consegue sustentar e realizar o desejo de produzir metamorfoses que vão até o prodígio em nome da honra e da dignidade de milhões de brasileiros (e brasileirinhos, como diria Dona Dilma).
Mais que vontade, faltam firmeza, coragem e determinação em nossos congressistas e agentes políticos para que se realize a vontade do povo brasileiro em termos de Justiça; povo, esse, sempre bravo, altivo e que nuca teve receio de afirmar “cremos em nós mesmos”. E essa massa continua a seguir em frente, como manda o refrão, rodeada de problemas tão urgentes que não encontra tempo de se assustar diante de cada nova e desagradável surpresa.
Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia (MG)
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