O dinheiro, o poder…o sexo
Aí estão, meus amigos, os três elementos simbólicos da existência humana.
E escrevo tranquilo, sabendo que até nesta ordem gira a nossa existência pelos séculos.
É certo que, no início da vida humana, as coisas eram diferentes. Biblicamente, no tal Éden ou paraíso terrestre, não havia dinheiro nem poder – bom para Adão e Eva, que devem ter aproveitado bem o tal de sexo, que aprendiam vivendo a livre natureza e seu paraíso.
Não durou muito, vieram os filhos e todas as complicações.
Caim matou Abel porque tinha ambição de ser o melhor e mais poderoso – o primeiro passo para o poder.
Com a multiplicação, a raça humana descobriu que o poder era muito importante, porém exigente de um fato novo, que lhe abriria as portas: o dinheiro.
A escola de valores veio se desmoronando: o dinheiro provou que comprava o poder, e que o sexo também podia ser comprado.
Aí estamos hoje na mais tremenda confusão.
O moço jovem não entende por que sua linda namorada o deixou por um tal Arquelau, cuja única beleza era uma conta grande no tal Banco Real e um carro importado.
Já o Arquelau, velho safado e sabido, precisava pôr dinheiro na eleição do Januário para prefeito, ele garantiria aprovar seu loteamento lá no fim do mundo – e muito dinheiro.
É claro que o Januário queria ser prefeito, ser importante e charmoso para conquistar a Julieta, irmã mais nova da namorada do moço jovem. Fecha-se o círculo da atual humanidade: dinheiro, poder e sexo.
Agora, meu amigo leitor, para que esta besteirada que nós todos reconhecemos? Meu caro amigo, eu lhe devolvo a consulta que está escondida: porque, se nós todos sabemos e reconhecemos estes poderes, por que tantos ficamos deles dependentes?
Inverto a sequência: o Januário perde a eleição, o Arquelau perde seu dinheiro e o loteamento, a mocinha nova e bonita chuta o Arquelau e quer de novo o seu amor do moço jovem – um final safado e melancólico para esta crônica, que conclui simplesmente: só dinheiro, só poder ou só sexo não vão garantir felicidade.
Chamo meu filósofo Dino, fiel entendedor da humanidade, e leio a crônica para sua opinião.
Ele pensa, acende na binga seu pito de palha, tira uma fumaça e doutrina: “doutor, quem pensa só no dinheiro, no poder e nas muié… tá fudido e mal pago. Vam’bora pra lagoa, sem dinheiro, sem poder, e sem competência pras muiés – cabô ali o sofrer, patrão!”
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)
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