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6/07/2011 6:00

Mais droga de crônica

Sei que não vai adiantar nada, mas vou repetir o meu mais angustiado e preferido tema de tantas crônicas: a droga.
Todos os dias e em toda a imprensa de todo e qualquer tipo, ela é um dominante.

Peguem a página policial, ela está lá: drogado mata companheiro de droga porque não paga sua conta – drogado rouba carro bate no poste e se arrebenta todo – drogado assalta residência, mata o velho dono pra pegar uns quebrados e ficar trolado, drogado sexual violenta a sobrinha de 10 anos e rouba os trocados da aposentadoria da avó… e por aí afora em tudo, em todo e cada vez mais.

Caramba, nunca a criminologia teve um tema tão importante e alucinante. Passamos por crimes de violência por dinheiro, por amores, por vinganças… apenas, e diferente, é que a droga não tem na sua origem estes temas clássicos e antigos.

A droga é sutilmente insinuante, um cigarrinho de maconha no colégio, um crackinho no baile de sábado, uma experiência inocente de um pozinho “pra criar coragem” e ser macho com a garota ali no beco da vila.
A imprensa dá notícia todo dia, mas a leitura e o valor são esquecidos, afinal isto não é mais novidade.
O “vamos pra frente que atrás vem gente” quer aí dizer que ainda tem muita coisa pior por acontecer.
Olhem, meus amigos, eu não quero nem pensar, mas quando vejo o sr. Fernando Henrique – experiente da república – pregar a liberação pura e simples das drogas… sinto um frio na espinha.

Por que um presidente que foi jovem, bonito e revolucionário (menos, menos, João!) faz esta sugestão revolucionária (mais, mais…)? Um ponto é obrigatório: ele conhece e sabe da coisa.

A liberdade total é mais ou menos: eu não quero nada com isto nem sou mais revolucionário ou responsável.
Eu já escrevi e sustento: a única maneira de acabar com a droga está na história clássica da lei seca, nos Estados Unidos, quando proibiram totalmente a bebida alcoólica.

Foi uma desgraça total, tráfico e seus criminosos matavam fornecedores, intermediários, policias e uns aos outros. Ou seja, a liberação total seria de alto risco.

Resultado: uma liberação por via do comércio e do comprador, que hoje está em todo o mundo.
A diferença essencial: a bebida alcoólica arrebenta seu viciado, mas a droga arrebenta a sociedade toda.

O drogado mata e violenta, seu fornecedor o estimula, ele entra no comércio, agrupa novos viciados… e vão morrendo, lentos os sociais, rápidos os fracos. Estou cansado, porém repito: a droga não será curada pela punição violenta nem pela absolvição geral.

A única fórmula é pela liberação controlada e assistida, física e psicológica, sob as asas vigilantes da saúde social, acabando com o império da traficância.

Assim, pelo menos, o drogado assistido poderá libertar-se do crime e ter novo acesso à sociedade.
Já mandei pra Dilma este projeto — mas parece que no momento a luta Carrefour, Casino e Pão de Açúcar são prioritários.

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)

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