Rendermo-nos às drogas?
Quando se fala em “redução da violência” em conseqüência da liberação do tráfico de drogas, não podemos esquecer as dores advindas da violência moral, psicológica e estrutural de famílias inteiras que padecem em função de algum parente dependente. A violência gerada pelo tráfico de drogas e cujos agentes são pessoas absolutamente estranhas à sociedade sadia, trata-se “apenas” da exteriorização de uma política social mal estruturada, pessimamente administrada e, por conseqüência lógica, inviável de ser satisfatoriamente aplicada.
O Brasil já avançou muito em relação à prevenção ao uso de drogas e na capacitação de agentes que lidam ou pretendem lidar nessa área, dando-nos a percepção de podermos alcançar níveis ainda melhores. Divulga-se, sim, o aumento do consumo de drogas em nosso país, mas por outro lado, há que ver-se essa questão sob uma ótica específica e nunca de maneira generalizada e catastrófica. Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, conselhos tutelares, Órgãos Executores da Política Nacional Antidrogas e estabelecimentos de Saúde têm feito um trabalho constante naquela seara e o que, além de tratarem do assunto em profundidade, ainda geram saudáveis discussões que envolvem o lazer sadio e a educação. E o que a liberação das drogas serviria para o desenvolvimento salutar (em todos os sentidos) da nossa juventude? Se “a sociedade aprendeu a conviver com o álcool e todas as mazelas dali decorrentes, então aprenderia a conviver também com outras drogas…”, é o que dizem aqueles que desejam (?) assistir a uma população fragilizada diante do intenso poder advindo do uso daquelas substâncias. Francamente… Será que realmente nos acostumamos com tanta morte, estupros, trágicos acidentes e outros suplícios decorrentes do uso e abuso de bebidas alcoólicas?
A nossa sociedade é tão sensíveis e desprezíveis são os seus mais dolorosos sentimentos? De que maneira uma família co-dependente química pode acostumar-se a conviver com um de seus membros em situação de dependência em relação às drogas? O trabalho de prevenção vem evoluindo com a construção de um novo enfoque, voltado para a educação e para a saúde, centrado na valorização da vida e na participação da comunidade. Palestras que visam conscientizar a população vêem-se tornando comuns e privilegiando uma reflexão crítica sobre as experiências com drogas, enquanto a educação centrada na informação adequada vem batendo de frente na repressão pelo medo e pelo terror. Boa parcela da nossa juventude tem aumentado o seu interesse na reflexão sobre o tema “Drogas” e ao ponto de envolver-se em ações de prevenção por meio de soluções participativas e contextualizadas. Essa questão de liberação das drogas, penso, é assunto para muitos que imaginam termos perdido toda a esperança em relação a uma vida sadia para a juventude. Somos infinitamente maiores que os agentes que tentam, por meio das drogas, seviciar os nossos filhos. Somos mais e podemos mais pela vida!
Gustavo Hoffay
Presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi
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