Mercado imobiliário
Desde 2009, o mercado imobiliário de Uberlândia apresenta um quadro de aumento crescente no valor dos imóveis, fenômeno este que já vinha acontecendo havia mais de quatro anos nas grandes cidades brasileiras.
O fato de nossa economia estar se ampliando com índices acima dos países desenvolvidos, nossa distribuição de renda ter melhorado significativamente, ampliando assim nossa oferta de empregos internos, levou a uma ascendência das classes C e D (a classe C cresceu 34% de 2003 a 2009, segundo a FGV Rio), que têm consumido muito mais produtos e serviços, permitindo que a nação criasse um círculo virtuoso de desenvolvimento.
O governo, sensibilizado pela carência de habitações para a população e sabedor que este é um dos maiores sonhos dos brasileiros, aumentou o volume e os prazos para financiamentos e reduziu juros, além de criar subsídios para a aquisição de imóveis para moradia, para as classes menos privilegiadas, surgindo então o programa Minha casa, Minha vida.
As grandes construtoras e incorporadoras nacionais, ao vislumbrarem a oportunidade aberta pela procura e pela facilidade de crédito, se deslocaram também para as cidades de médio porte à procura de áreas para lançamentos imobiliários.
Em nossa cidade, as propriedades que há pouco mais de dois anos estavam com os preços defasados, com a intensa busca e venda de terrenos e glebas, tiveram aumentos crescentes de preços, extrapolando em alguns casos os seus valores reais. Esta variação radical no panorama imobiliário é explicada pela compra de imóveis por parte dos consumidores represada há muito tempo (aí incluindo também as classes A e B, que cresceram, respectivamente, 41% e 38% entre 2003 e 2009, segundo a FGV Rio) e pela falta de materiais e mão de obra, em função do enorme incremento de novas edificações, que causam aumentos nos custos.
Esta nova situação surpreendente e interessante é benigna e produz um efeito de oxigenação na economia, porém, como toda mudança, provoca distorções que precisam ser corrigidas.
O mercado imobiliário sempre foi regido pela lei da oferta e procura. Neste momento estamos com a balança positiva pendendo para o lado da procura, o que torna os preços mais altos para o comprador. Esta situação é normal, na medida em que o comprador também está ganhando mais, e a vontade de ter um imóvel próprio, sujeito a valorização, suplanta a prudência da espera.
O comprador que já adquiriu experiência com as mudanças tem sinalizado que alguns produtos do setor, principalmente no quesito preço de venda de áreas e terrenos, tiveram aumentos acima do mercado e começam a questionar se estão pagando o valor justo pelas propriedades.
O que fica claro neste momento é que os preços tendem a se estabilizar por um tempo maior. Para que a comercialização dos imóveis se mantenha nos níveis atuais, é necessário bom senso e capacidade por parte dos vendedores em abrir mão de lucros excessivos. Quanto à possibilidade de criação de bolha imobiliária, como nos Estados Unidos, temos a nosso favor a capacidade dos bancos de exigir cadastros rigorosos e diminuir o volume e prazos dos empréstimos quando for necessário, o déficit habitacional da baixa renda, que é de mais de cinco milhões de unidades e a continuidade da melhoria do poder aquisitivo de todas as classes.
Cícero Heraldo Novaes
Engenheiro e empresário
Diretor da CDL
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