É preciso ter coragem
Há uns 40 anos, eu estava em Ohio, no meio norte dos Estados Unidos. Fui visitar a fazenda do amigo Ron Jackson, onde estava hospedada minha filha Andrea. Vi e aprendi muita coisa do sucesso americano. De tudo, o que mais me impressionou foi o apoio ostensivo que a legislação dá aos fazendeiros. Para os que não sabem, os americanos do centro, Mississipi e Missouri, eram então os maiores produtores de agricultura mundial.
Também vejam: os impostos eram mínimos, ainda mais premiados com redução para os de melhor resultado, com vantagens de toda espécie. Por exemplo: o óleo diesel de uso agrícola custava quase a metade do óleo urbano ou outras atividades. Cuidado americano: o diesel “agricultura” tinha um corante vermelho para não ser usado em outros veículos.
Ainda, e até hoje, havia prêmios de estímulo aos produtores mais eficientes, descontos especiais em impostos etc. Ou seja: produzir mais e ganhar mais era motivo de destaque e prêmios. Andrea, lá vivendo, vendeu milho verde na rodovia para os carros em trânsito: o trabalho sempre foi razão de sucesso e educação nos USA.
Cheguei ao Brasil entusiasmado: diminuí pecuária, plantei café pra cachorro, abri fazenda no Mato Grosso, terra de primeira e tudo no maior capricho. Fui, então, descobrindo que o Brasil não é os Estados Unidos. Onde era longe — origens do rio Guaporé —, abrimos 14 mil hectares de mata e formamos colonião e gado nelore registrado — a boa intenção de produzir reprodutores melhorados para aquela região. Resultado: sete invasões sucessivas.
Sem-terra era chamado grileiro — mas tinha a mesma proteção e vantagens atuais. Mataram aos poucos nosso gado (tirei fotografia de couro de vaca com caranguejo ABCZ no açougue de Pontes e Lacerda. Na sétima invasão, o governador me disse: Dr. João, neste ano não mando a tropa tirar invasores: é ano de eleição! Bem, ele perdeu a eleição, nós perdemos grande parte do gado e da fazenda: nunca mais voltei lá.
Não vou buzinar outras decepções. Apenas destaco o heroísmo e a coragem dos que trabalham na produção rural nestas terras – as melhores do mundo. Hoje, vejo a preocupação do governo com a nossa terra e nossos produtores rurais. Muito destes cuidados são importados de países do primeiro mundo, mas nem sempre consultam nossa realidade. É fácil entender que, entre Campinas e Porto Velho, existe um enorme país com grandes variações. Nós vamos aprendendo devagar, enfrentando a bíblia que programas e fiscais recebem sem nenhuma considerar as realidades.
Tenho em Araxá uma fazenda de cafezal em formação. Sem a bíblia, procurei dar o conforto possível aos meus apanhadores de café – um barracão de madeira limpo, com banheiros e chuveiros elétricos, com restaurante, cozinha em separado, com televisão… e, é claro, as obrigações e direitos trabalhistas. Esperava 25, vieram 60 trabalhadores lá do fim do mundo e desempregados.
Vem uma fiscalização, esculhamba esta instalação rústica, que, inclusive, comprou os equipamentos do pessoal – ah, é claro, luvas e óculos! Para colher café… Devo mandar embora os pobres e excedentes? E investir num barracão especial, que receberá hóspedes dois meses ao ano? E quem colhe batatas, em quatro ou cinco dias, com seu pessoal nesta legislação? Porém, e aí está o grave: o governo fez o que lhe parece moderno.
E nós, amigos, com nossos sindicatos rurais, que assistência podemos reclamar, se nossos líderes ali fazem apenas política pessoal, eleitoreira, financeira e por aí sem valor ou consideração. É fácil: comparem qualquer sindicato ou associação com o MST e seus derivados… e ficar calados, o que se resume em… ter coragem.
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)
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Mário Borges disse:13/07/11 16:47
Dr. João, realmente isto no Brasil é uma realidade , o direito de propriedade existe na constituição Brasileira, entretanto não temos como faze-la cumprir, os Governos, todos Eles são coniventes, veja lá no Pará, no Governo anterior, a Governadora simplesmente não deixava a Policia Militar cumprir ordem judicial para reintegração de posse, existia mais de 100 mandatos não cumpridos, o poder Judiciário depende do poder Executivo, é uma vergonha diria o Boris Casoy.
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Mário Borges disse:14/07/11 8:10
Olá Dr. João, veja o que encontrei hoje na coluna do Cláudio Humberto:
14/07/2011 | 00:42
A tirania vermelha na Justiça BrasileiraA Infinity Agrícola s/a, com fazenda sucro/alcooleira em MT, recebeu a “visita” de fiscais do trabalho (entenda-se agentes esquerdistas ditatoriais) que “constataram” a existência de “trabalho escravo” naquela propriedade agrícola. Agora é que entra a questão central. Os fiscais se autoproclamaram juizes e carrascos ao interditarem a propriedade e a condenarem à falência pois a quase totalidade da safra de cana de açúcar já havia sido cortada e os trabalhadores foram todos impedidos de trabalhar em decorrência da interdição pura e simples dos fiscais. Todos os 815 empregados da fazenda ficaram impedidos de continuar o processamento da cana, inclusive com seus contratos rescindidos pelos agentes do MTE.
Lourinaldo Teles Bezerra
Osasco – SP
Comentários (2)