O ciclo da vida
Ocasionalmente somos surpreendidos na internet por textos simples, com conteúdo profundo, e que de alguma maneira gostaríamos de ter escrito. Recentemente encontrei artigo de autor desconhecido, que trata da finitude do ser humano e das dificuldades das famílias para conviver com pais em idade mais avançada. Para leitura e reflexão dos interessados, segue o texto “Pais heróis e Mães rainhas do lar”:
“Passamos boa parte da nossa existência cultivando estereótipos”. Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
De repente o pai fortaleza, ao carregar um pacote de supermercado, tem problema na coluna vertebral que o manda para a fisioterapia. A rainha do lar começa a ter dificuldades de concluir as frases e dá para implicar com a empregada. Repete a mesma pergunta cinco ou seis vezes, em conversa sobre qualquer assunto. Recorda-se com detalhes de fatos ocorridos há mais de quarenta anos, e de maneira alguma se lembra do que falou dez minutos atrás. O que Papai e Mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? – Ora, eles apenas completaram 80 anos de vida! – É isso, nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem várias manias bobas.
“Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que para isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora se dedicam a pequenas aventuras como comer escondido tudo o que o médico proibiu, especialmente se são diabéticos. Estão com manchas na pele, se recusam a usar protetor solar, ficam tristonhos de repente, e se complicam para ingerir os diversos medicamentos de uso diário.”
“Mas não estão caducos: caducos ficam alguns filhos, que relutam em não aceitar o ciclo da vida. É complicado admitir que nossos heróis e rainhas não estão mais no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seus desânimos. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular, ou com o controle remoto da televisão, e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso. Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, ficamos irritados por eles terem ‘traído’ nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.”
“Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Não temos paciência com a falta de agilidade de locomoção deles, o que nos aborrece por termos que ajudá-los a se levantar de um sofá ou entrar no carro. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos; medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada a tal de passagem do tempo. Somos preparados para tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são o Pai e Mãe – nossos alicerces – aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.”
Idade avançada é coisa de quem conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
Luiz Alberto Rodrigues
Ex-Deputado Federal Constituinte
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Izabel V disse:22/07/11 9:21
“Tenho pensamentos que se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens”. Parabéns pelo seu texto!
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