Crise de valores
Hoje, empresas colocam um quadro em todos os setores com sua missão, visão, seus princípios e valores. A intenção é ótima. Normalmente, vem do seu Planejamento Estratégico, que fornece o norte, para onde as empresas querem ir, o que corresponde à sua visão, à missão, como pretendem chegar e os valores que devem ser cultivados para que os colaboradores passem a seguir as orientações de forma sustentável.
A intenção das organizações está correta, mas o que temos notado é que, a cada ano, esses valores estão se deteriorando: tem aumentado o roubo nas empresas; o retrabalho; diminuído o nível de comprometimento; apesar do aumento de faculdades e cursos de curta, média e longa duração, o pior, o elementar também está em declínio; a falta de educação dentro e fora das organizações é visível pelo avanço das brigas no trânsito, pois os motoristas nem aos idosos fazem alguma gentileza.
Onde está a causa? Esta é a questão. Podemos começar pela família – a maioria está terceirizando a educação dos filhos. Com o casal ausente, por motivo de trabalho ou estudo, as creches ou escolas estão assumindo esta função. Como isso, não é da sua responsabilidade passar a realizá-la de forma improvisada e parcial, e não têm como dar o mais importante: o carinho, o amor, estes não são possíveis de terceirizar.
Neste contexto, até algumas palavras que se usava muito no passado não são mais utilizadas. A maioria dos jovens de hoje nunca ouviu “homem de bons costumes”, “homem virtuoso”. Virtuosa é a pessoa que tem valores internos e os pratica no dia a dia. Outra palavra, caridade, o que é confundido com esmola. Fraternidade, uma convivência que vai muito além do que conceitua os especialistas de marketing, quando classificam o cliente como o ser mais importante do mundo, “o rei”; os fornecedores como parceiros; os funcionários como colaboradores… Onde fica nessa história o ser humano, que tem sonho, coração e, por que não dizer, alma? Será que o importante é o consumo, que gera uma relação de troca, e não uma de doação?
Hoje, as palavras vão ao vento, o que se fala, escreve, normalmente é feito para não ser cumprido. Quando falamos dos nossos representantes no congresso, no governo, a conjuntura, pelo volume, fica mais evidenciada. E por usarem o dinheiro público, a situação deveria ser tratada como caso de polícia, mas isso ainda não acontece na proporção do fato. Vivemos um momento no qual a impunidade reina, apesar do esforço de alguns setores.
Mas como otimistas, acreditamos que isso está mudando, vemos com bons olhos o posicionamento da OAB, da polícia, do Poder Público e do Judiciário, das igrejas e de instituições como a Maçonaria, buscando, cada uma de sua forma, mudar esse ambiente, que no fim faz com que todos percam, até aqueles que acreditam estar ganhando com a falência dos valores.
Há uma avaliação que tem recebido a cada dia mais adeptos: o século passado foi o da tecnologia – não podemos negar este avanço e sua contribuição – e este século será o do humanismo. Mas se não tornarmos essa possibilidade realidade, vamos deixar para nossos descendentes um passivo pouco desejado, um local infeliz para se viver. É importante não esperarmos do outro, esta é uma revolução da qual todos devem participar, até quem está levando vantagem. Estão mesmo levando vantagem?
Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br
Comentários 0