Ponto de Vista

Envie seu ponto de vista

Ponto de Vista Escreva você também para o Ponto de Vista. O artigo deve ter no máximo 3300 caracteres com espaço. A coluna é publicada de segunda-feira a domingo.

21/08/2011 5:41

Agosto (I)

Popularmente o mês de agosto é conhecido na crendice como o mês do azar, das coisas ruins. Muitos evitam até casar neste mês de seca, vento e pó. Agosto, o mês do desgosto, dizem aos quatro ventos. Casamento em agosto é fadado a durar pouco e acabar em briga feia. Aqui, um segredo pessoal: casei-me em um agosto há 30 anos e nossa vida vai muito bem, obrigado. Será a exceção que confirma a regra?

As bruxas geralmente fazem suas convenções anuais em agosto. Para deixar claro e apagar qualquer dúvida em relação a superstições, repito dito galego: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

Talvez a maioria das pessoas ache o mês feio, pois em grande parte de nosso país não chove, as folhas caem, os pastos secam e um aspecto de abandono toma conta da natureza. Falso abandono, pois a beleza oculta em tanta poeira, notada por poucos, esconde um descanso, um adormecer importante para a vida.

Para agravar ainda mais a pecha de mês dos horrores, dizem as más línguas que é em agosto que acontecem maior número de acidentes aéreos, rompimento de namoros, quedas na Bolsa de Valores, tragédias marítimas e quebras de ovos indez.

Não posso garantir que nada disso seja verdade, mas, hora dessas, vou atrás de tais números. Não devemos nos esquecer da fatídica Sexta-feira 13, de Agosto. Essa é pesada.

Uma coisa é real, não apenas em agosto, mas em todo período da seca, o aumento das doenças respiratórias e outras doenças virais encontram caminho aberto para se mostrarem mais ativas. Com a falta de chuva, vem o frio e os índices de umidade caem a níveis alarmantes. As pessoas tendem a ficar mais aglomeradas facilitando a propagação das “ites”: conjuntivites, bronquites, faringites e por aí afora.

A mão humana ajuda a piorar o quadro com criminosas queimadas. Não consigo entender este prazer mórbido de atear fogo em qualquer moitinha de capim seco. A psiquiatria talvez explique.

Mas o verdadeiro motivo dessa crônica é outro. Agosto é também conhecido como mês do cachorro louco, da raiva.

Aqui em Uberlândia, desde 1983, a Prefeitura Municipal assumiu o controle da raiva animal e com afinco se dedicou a levar informação e, anualmente, desencadear campanha que se tornou modelo de vacinação de cães e gatos, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Um trabalho digno de admiração e respeito.

Resultado: o último caso da raiva foi diagnosticado em um gato, em setembro de um longínquo 1987. Desde então não se viu caso da doença. Dezenas de turmas da nossa Veterinária formaram sem ver um caso sequer. Diferente do nosso tempo em que nos deparávamos quase todo dia com um bicho doente. Muito a comemorar.

Neste ano, fato inusitado: após toda campanha preparada, pessoal imunizado e treinado, fomos informados, assim do nada, de que não haveria vacina disponível. O município fez gestão no Estado e no Ministério, mas nada de concreto, ninguém soube fornecer informação correta para tal fato. Ficou uma sensação de que estávamos sozinhos com nossos problemas. É inaceitável situação como esta. Pior é ouvir de alguns epidemiologistas de gabinete que, estando Uberlândia em situação confortável, pode esperar um tempo, pois não é prioridade deles. Hora, esta situação confortável se deu exatamente em razão do trabalho sério, devotado e contínuo do município ao longo de anos, que pôs sob controle esta fatal doença (continua).

William H Stutz – Veterinário sanitarista
Uberlândia (MG)
whstutz@gmail.com
stutz@netsite.com.br

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Rony Melo disse:29/07/12 3:03

    (…)”Hora, esta situação confortável se deu exatamente em razão do trabalho sério, devotado e contínuo do município ao longo de anos, que pôs sob controle esta fatal doença”

    Desculpa doutor William H Stutz, mas esse “Hora” não é com “H” mas com “O”. Portanto, o corretgo seria, “Ora” e não “Hora” como o senhor escreveu.

    Espero ter contribuído.

    Responder