Universidade e verdade
Realizou-se na semana passada, a Jornada Mundial da Juventude, encontro com o Papa Bento XVI, na cidade de Madri, Espanha. Entre os diversos eventos ali desenvolvidos, aconteceram no 19 de agosto, o encontro do Santo Padre com 1500 professores, representantes da comunidade acadêmica da Espanha. O lugar escolhido, o Mosteiro de São Lourenço no Escorial, a 60 km da capital, onde existe uma das maiores bibliotecas do país, foi palco de um grande momento em que falaram o Arcebispo de Madri, um representante dos docentes e o Santo Padre.
Professor e Teólogo, Bento XVI lembrou o início de seu trabalho docente como professor de Teologia da Universidade de Bonn, na Alemanha, quando professores de diversas disciplinas procuravam juntos, ajudar os jovens estudantes, mergulhados no mundo novo do pós-guerra, a encontrar a verdade em todas as fases de sua formação acadêmica. Realizava-se ali o pleno sentido da tão falada interdisciplinaridade, ainda carente de realidade entre nós. Fundamental ajuda dá o estudo da Filosofia, felizmente, encontrado em diversas universidades públicas, como na Universidade Federal de Uberlândia, mas, sempre me intrigou o fato de que nelas o estudo da Teologia fosse considerado como ingerência.
Àqueles que o desejassem dever-se-ia também dar a oportunidade de um estudo teológico que contribuiria para situá-los acima do simples conhecimento , pela Ciência, e que lhes proporcionasse a plena formação de seu ser humano, para que o tecnicismo exacerbado, muitas vezes sem limites, não conduza o mundo exclusivamente para o caminho da competição desenfreada.
O chamamento para uma convivência harmônica entre Ciência e Fé repetidamente feito por Bento XVI, apesar das grandes dificuldades que o mundo atual oferece para isto, poderá ajudar, e muito, na convivência pacífica entre os povos.
O objetivo primordial da Universidade é formar não só técnicos que se integrarão nos mercados profissionais, dentro de suas especialidades, com competência, mas, de homens que tenham o pleno conhecimento de si, dos outros com quem irão conviver, e que busquem a Verdade como fim último de suas vidas.
Grande responsabilidade têm os professores universitários na formação completa dos seus alunos. Cita o Santo Padre a frase de Platão: “ Busca a verdade enquanto és jovem, porque, se o não fizeres, depois escapar-te-á das mãos” (Parmênides, 135d)
Ainda em seu discurso diz: “ Contudo, vós que vivestes como eu a Universidade e que a viveis agora como docentes, sentis, certamente, o anseio de algo mais elevado que corresponda a todas as dimensões que constituem o homem. Como se sabe, quando a mera utilidade e o pragmatismo imediato se erigem como critério principal, os danos podem ser dramáticos: desde os abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma, até ao totalitarismo político que se reanima facilmente quando é eliminada toda a referência superior ao mero cálculo de poder. Ao invés, a genuína idéia de universidade é que nos preserva precisamente desta visão reducionista e distorcida do humano”.
Certamente, ganharão todos quando aqueles que têm a grande oportunidade de freqüentar uma Universidade, encontrem nela o ambiente adequado para a sua formação plena, para uma vida profissional adequada e compromissada com os ideais de justiça, de tolerância, o que muito os ajudará a busca pela Verdade, único caminho para a Paz.
Aparecida Portilho Salazar
portilhosalazar@reito.ufu.br
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