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25/08/2011 6:00

Energias alternativas

As forças vivas de nossa cidade fazem um esforço para estender um ramal do gasoduto Bolívia – Brasil até Uberlândia, à primeira vista este parece ser um anseio legítimo da indústria da cidade e região. É preciso, entretanto considerar os impactos nocivos ao meio ambiente no que tange à faixa de servidão do gasoduto, desapropriações, custo de manutenção das instalações para viabilizar um combustível poluente e não renovável, e que ainda está sujeito aos instáveis humores da política no país vizinho.

Em nossa cidade existem muitas alternativas ainda pouco exploradas para incremento na matriz energética local. Para, tanto basta observar o que é possível ser feito na área de energias alternativas: os gases provenientes do aterro sanitário de Uberlândia podem se transformar em importante fonte de energia. Além disso, podemos ainda considerar as estações de tratamento de esgoto e todo o metano produzido por seus biodigestores, hoje queimado sem nenhum aproveitamento. Esta é uma importante fonte de energia que pode e deve ser agregada a esta matriz energética.

Devemos ainda considerar programas governamentais que estimulem a instalação de sistemas solares de aquecimento de água em residências, grandes condomínios, hospitais, indústria, tanto para as instalações novas como para aquelas que estejam sendo reformadas em nossa cidade. Criar mecanismos de estimulo ao financiamento de sistemas de geração alternativa de energia distribuída, para que além dos condomínios de baixa renda a classe média pudesse entrar fortemente e com mais facilidade num programa de energia alternativa.

Pode ser agregada a esta matriz energética o biodiesel, não podemos nos esquecer que Rudolf Christian Karl Diesel patenteou o motor que leva o seu nome em 1897 e no projeto original era para que ele utilizasse óleo vegetal. Em 1912 uma declaração do próprio Diesel revela sua intenção inicial: – O uso de óleos vegetais como combustível pode parecer insignificante hoje, mas tais óleos podem se tornar ao longo do tempo, tão importantes quanto o petróleo e o carvão de hoje.

Se não é possível convencer instituições financeiras a oferecer juros baixos para instalações de energia alternativa, talvez fosse possível premiar o cidadão comum, o industrial e o comerciante, com algum tipo de isenção fiscal ou desconto pela adoção da energia alternativa em sua residência, indústria ou estabelecimento comercial.

É preciso que nossa cidade e região tenham programas consistentes de descarte e reciclagem de materiais diferentes do lixo orgânico, papel e vidro que são mais frequentemente encontrados em nosso lixo, tais como: celulares, baterias de todos os tipos, medicamentos vencidos, óleo de cozinha, cartuchos de impressoras, pneus, lâmpadas de todos os tipos, computadores, papel fotográfico de raios X, plásticos de todos os tipos, aparelhos eletrônicos, metais e etc.

Espera-se para breve, que um forte programa de conscientização seja dirigido a toda a população para que esta tenha conhecimento de locais para onde levar estes materiais para que não sejam destinados aos aterros sanitários e lá contaminem o meio ambiente e os nossos lençóis de água subterrânea.

Prof. José R. Camacho
UFU – Eng. Elétrica – NUPEA – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Energia Alternativa – jrcamacho@ufu.br

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