Comunicação e abastecimento
O Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) divulgou um apelo para que a população e empresas “economizem água para que o abastecimento continue beneficiando a todos”. Recomenda o uso “somente para as necessidades básicas, evitando desperdícios como lavar calçadas e carros com mangueiras”. Justifica tal apelo “devido à prolongada estiagem e às previsões de ausência de chuva.”
No jornal CORREIO de Uberlândia, matéria publicada em 03/09/11 revelou que o consumo de água em Uberlândia é o maior da história: média de 350 litros por pessoa, o dobro do consumo médio diário comum. “Com isso, os reservatórios de água estão operando com 35% da capacidade total durante esse período.” De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene.
A respectiva autarquia municipal realizou nos últimos anos importantes obras para aumentar a produção e a reservação de água, mas alerta, entretanto, que “nesse momento precisa da sua colaboração.”
É notória a ausência de campanhas veiculadas na mídia impressa e eletrônica, visando à promoção e conscientização da população para o uso racional da água. Geralmente, os informes resumem-se às advertências pontuais, como a veiculada atualmente. Seria conveniente à autarquia entender que o estímulo ao consumo racional independe da estação de ano, pois deveria ser permanente, abrangente, contundente e incansável.
Ao percorrer as ruas da cidade, mesmo após o apelo, o que se nota é um desconhecimento, insensibilidade e/ou omissão da população diante da crítica situação anunciada. Ao observar cotidianamente inúmeros moradores “varrendo” seus passeios com água tratada, por exemplo, demonstra que o DMAE precisa aperfeiçoar suas estratégias de comunicação social. Pergunta-se: sabendo-se do período de estiagem, noventa dias, por que a autarquia não iniciou previamente e em tempo hábil uma campanha de alerta e conscientização da população? Outra questão: qual a participação do consumo pelas empresas e residências, quem afinal está pressionando o consumo? Lembro-me de um mote da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP): “Água: Usar bem é fácil. Difícil é ficar sem.” De fato, difícil será conviver com um provável colapso no abastecimento diante de uma cidade com mais de 600 mil habitantes.
Seremos capazes de sensibilizar a população, com a conseqüente mudança de hábitos, que a água é um recurso finito e cada dia tornar-se-á mais cara e escassa? Na vizinha Uberaba, o Centro de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (CODAU) está recorrendo à transposição de águas entre bacias, transposição do Rio Claro. Seguiremos o mesmo caminho?
Aumentar a oferta através do aumento da produção e reservação de água é fundamental, porém se não investirmos no consumo consciente deste precioso recurso não conseguiremos oferecer a devida e indispensável sustentabilidade no abastecimento de água. O aumento da demanda de forma exponencial e a ação predatória nas nascentes dos rios, em especial, no Rio Uberabinha, apontam um futuro preocupante. Sendo assim, além do mote “Água. Sabendo usar não vai faltar”, recomendo-lhes outro: “Água. Sabendo comunicar não vai faltar”, ou ainda “Água. Sabendo educar não vai faltar”.
Prof. Eduardo Macedo de Oliveira
Uberlândia – MG
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