O casório do Idi Amin
Vive num zoológico em Belo Horizonte um guapo gorila chamado Idi Amin. A solidão era sua companheira, e uma tristeza muito profunda oprimia seu coração por nunca ter sido agraciado pelos céus com uma fêmea carinhosa e bonita com a qual pudesse trocar afagos, passar dias felizes e procriar, prestando um grande serviço ao planeta: impedir que a formidável espécie se extinguisse.
Um dia, recebeu a grande notícia: duas senhoritas, Imbi e Kifta, chegariam ao zoo. O gorila estufou o peito de felicidade e bateu nele suas fortes mãos. Suas preces finalmente tinham sido atendidas. Iria ter não uma, mas duas namoradas, e a vida seria um prazer só, depois de longo tempo de abstinência, espera e solidão. Foi necessária uma operação gigante para trazer as duas moçoilas “from Londres to Brasil”. Burocracia louca para sair e para chegar, e entre papeladas, exames, vacinas e sedação voaram as duas ao encontro do prometido.
Valeu a pena a engendração. Estão agora as duas ninfetas em período de adaptação para, depois de algum tempo, conhecer e se entregar ao ansioso noivo. E, desse casamento arranjado, a esperança é que nasçam lindos gorilazinhos. Desejo a Idi Amin, Imbi e Kifta um feliz e proveitoso encontro. Que se amem muito, que sejam felizes e respeitados. E que tenham uma numerosa prole. Animais tão espetaculares como os gorilas não podem sumir do planeta.
Por falar em animais, dia desses assisti a um programa de TV que me deixou estupefata e horrorizada. A indignação de qualquer ser humano precisa levantar-se contra cenas de tamanha covardia e crueldade. Na arena, os touros eram soltos, e alguns infelizes, vestidos de cowboy, montados a cavalo, laçavam os coitados e os atiravam ao chão. Depois de derrubados num embate injusto, os pobres ainda recebiam algumas bordoadas. Triste espetáculo! O pior aconteceu quando entrou na arena um novilho ainda bem pequeno. O “artista” cavaleiro, sorridente e confiante, munido de vários apetrechos e grandes esporas para cutucar o desorientado cavalo, laçou o coitado do novilho, como era de se esperar em disputa tão desigual. O homenzinho apeou e, num gesto glorioso, acabou de derrubá-lo, quebrando-lhe a coluna para completar a hediondez.
O animal seguiu para a morte, olhos horrorizados e esgazeados pela dor. O cowboy foi celebrar a grande vitória e, pecado mortal, fazer o sinal da cruz e beijar os pés de N. S. Aparecida.
O que é isto, minha gente? Estamos em pleno século XXI e, enquanto alguns lutam para salvar animais, outros os expõem com atitudes cruéis e desumanas. E o que dizer das pessoas que assistem ao triste espetáculo e deliram com o sacrifício e a morte como se estivessem num circo romano? A proibição desses espetáculos impõe-se, pois não temos o direito de usar da nossa força e estupidez para maltratar animais indefesos.
Olho bem fundo nos doces olhos dos cãezinhos Mané, Zé e Gugu e peço perdão. Nós sabemos o que estamos fazendo, mas ainda não evoluímos o suficiente para almejar a paz e fazer cessar estas barbáries.
Marília Alves Cunha
Educadora – Uberlândia – MG – mariliacunha16@hotmail.com
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Agostinho Paganini disse:15/09/11 20:24
Sra.Marília Alves Cunha, eu ainda sou dos “bestas”, aos quase 65 anos, que chora quando vê cenas de maus tratos aos animais e o verdadeiro genocídio que se comete com o povo africano. É muito triste ver aquelas criancinhas negras ali postas para morrer à míngua. Como pode o mundo dos ricos se omitir? Como pode existir também no nosso maravilhoso país crianças sem escola digna e com muitos outros problemas enquanto salafrários se apropriam do dinheiro público? E nós fazemos o quê? Assistimos. Não precisamos de novas leis. Precisamos que as leis sejam cumpridas e para isso precisamos de pessoas decentes e destemidas. Ai é que fica difícil. Onde estão elas? A senhora não imagina o quanto sou alertado pelos meus familiares que temem pela minha segurança por causa do que escrevo e falo, mas…
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Marilia Cunha disse:16/09/11 12:15
Eu também ainda sou das “bestas” que choro sem vergonha, quando vejo os maus tratos que se cometem neste nosso planeta.Acho que o simples indignar-se já é um bom começo… Quem sabe esta “doença” pega?
Obrigada pelo comentário.Marília
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Agostinho Paganini disse:17/09/11 20:28
Sra.Marília, fiquei feliz ao saber que a senhora leu meu comentário, mais ainda por saber que não estou sozinho na minha indignação.
Obrigado.
Em tempo: Gosto muito de seus textos, sempre sensatos, interessantes e que demonstram intensa sensibilidade. Parabéns! -
Jose Marcio disse:30/09/11 23:56
A notícia repercutiu também nesse blog:
http://manicomionews.blogspot.com/2011/09/bbc-macaco-e-tudo-safado-mesmo.html
Comentários (4)