Corte de árvores pela Cemig
Recentemente, soubemos por artigo publicado no CORREIO de Uberlândia que a Cemig cortará 20 mil árvores nas ruas de Uberlândia, por conflitarem com a rede de fios urbanos.
A Cemig apresentou à prefeitura da cidade um programa denominado Premiar, que, ao que parece, seria um presente para o município. Numa primeira fase, seriam catalogadas todas as árvores plantadas nas ruas e, em seguida, seriam definidas quais as que interfeririam na rede para que fossem cortadas. Em contrapartida, a concessionária plantaria árvores de menor porte, que não provocassem mais os cortes de eletricidade.
Se isto for feito, a precária arborização de Uberlândia será muito prejudicada. Se cortarem uma planta adulta e a substituírem por outra, demorará entre 20 e 30 anos para que a nova atinja a maturidade. Como a fiação está a 5,40 m de altura (telefonia e TV a cabo) e a elétrica de baixa voltagem a 7,20 m, o tamanho máximo de uma árvore seria de 5 m, que, com certeza, não produziria uma sombra capaz de provocar conforto ambiental. A temperatura na cidade tem aumentado sistematicamente e o calor está cada vez mais escaldante.
Uma operação desta envergadura não pode ser resolvida de uma forma tão simplista. Há 30 anos, Uberlândia era conhecida como “Cidade Jardim”, título este que já perdeu há muito tempo, para tristeza de seus moradores. É preciso dar uma solução adequada e definitiva para a arborização urbana e usar de poda malfeita ou cortar as plantas é o pior caminho possível.
A revista “Árvore” (volume 30, n° 4, de julho/agosto de 2006, da Universidade Federal de Viçosa) publicou um estudo comparativo entre três tipos de redes de distribuição de energia elétrica: aérea convencional (com cabos nus), usada em Uberlândia e que provoca desligamento da rede, quando em contato com galhos em época de chuva e as outras duas, que não interferem na rede elétrica, a aérea compacta (com cabos encapados com polietileno reticulado XLPE) e a subterrânea.
No artigo, em função do preço corrigido até 2011 aproximado, em R$ por km, a rede convencional custa entre R$ 122.100 e R$ 150.960, a compacta custa R$ 138.306 e a subterrânea custa R$ 970 mil. Fica claro, então, que a solução para evitar os desligamentos da rede sem corte de árvores seria o uso da subterrânea e da compacta.
Considerando os custos, o valor mais adequado, por ser praticamente igual ao da convencional, seria a compacta. A rede antiga poderia ter seus fios nus substituídos por encapados, utilizando a própria estrutura de postes, cruzetas etc. O custo seria de 25% de uma rede nova e a concessionária poderia utilizar os fios nus substituídos em eletrificação rural, além de economizar muito com os serviços de poda e com o valor da manutenção, que é de 80% da rede convencional.
A energia no Brasil é uma das mais caras do mundo: R$ 329,00/megawatt-hora, 2,3 vezes maior que a da China, 2,65 vezes a dos EUA, 1,54 vez a da Alemanha e 3,74 vezes a da Argentina, situação estranha visto que o Brasil tem a maior reserva hídrica do mundo. A Cemig se beneficia diretamente deste alto valor, além de ser monopolista no Estado de Minas. Seu lucro líquido em 2010 foi de 2,2 bilhões de reais, 6% acima de 2009. A função da estatal Cemig é o lucro em benefício dos cidadãos de Minas. Então seria adequado que, em vez de propor os cortes das árvores, ela substituísse os cabos da rede e, daqui para frente, só utilizasse rede compacta ou subterrânea.
Cicero Heraldo Novaes – Engenheiro
Empresário – Diretor da CDL
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