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20/09/2011 9:02

IPI para os importados

O governo federal aumenta, em 28%, o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – dos veículos que tenham menos de 67% de componentes nacionais. Na retórica governamental, é uma medida para proteger a indústria e os trabalhadores da indústria automobilística nacional. Uma medida muito louvável sob esse ponto de vista – oferecer vantagens à indústria nacional para manter os empregos no Brasil. Mas, após alguma elucubração cerebral, por que não fazer isso com toda a indústria? O que tem a indústria automobilística de especial? Por que não sobretaxar os têxteis, os calçados e o aço importados? Com a indústria têxtil, os calçados e a indústria do aço, está acontecendo a mesma coisa – a pressão dos importados inviabiliza a produção nacional.

Em recente pesquisa para a indústria metal mecânica, o prof. Germano Mendes de Paula, do Instituto de Economia da UFU, ressalta o prejuízo que a indústria de aços finos vem sofrendo por causa da pirataria internacional. Não é somente a indústria automobilística que precisa ser protegida, mas toda a indústria nacional.

Vamos analisar esta medida do ponto de vista do consumidor. O que estava acontecendo com os automóveis é que, mesmo pagando a mesma quantidade de impostos, o automóvel importado chegava ao nosso país mais barato que o produto nacional. Isso em economia de mercado forçaria os fabricantes nacionais a baixar seus lucros e vender os automóveis pelo mesmo preço da concorrência importada.
Se não, vejamos. Um automóvel de luxo de certo fabricante multinacional que tem fábrica no Brasil é vendido no Brasil na faixa de R$ 80 mil a R$ 100 mil, dependendo dos acessórios; veículo idêntico que sai da mesma fábrica no México e é vendido nos EUA sai na faixa de R$ 32 mil a R$ 40 mil. Dirão os senhores, mas os EUA e México possuem acordos bilaterais de tarifa de importação zero. Detalhe, o Brasil possui com o México o mesmo acordo bilateral de tarifa de importação zero. Por que então a diferença no preço? O imposto acumulado de mais de 50% – mesmo existindo o acordo bilateral de tarifa zero. E isso acontece com todos os fabricantes multinacionais que possuem fábrica no Brasil.
O aumento do imposto dos importados agora, além de proteger a industrial nacional que vende aqui os carros mais caros do mundo, está garantindo a comercialização de carros que não teriam condições de competir com os carros que vêm do exterior. Como uma moeda sempre tem duas faces, nós continuaremos a pagar caro para ter automóveis que em qualquer lugar do mundo podem ser comprados por até um terço do preço que pagamos aqui. Além de proteger a indústria nacional, o que é muito louvável, estamos aumentando impostos dos importados que competem com uma indústria que cobra muito caro pelo seu produto e que conta com a proteção do governo, que também cobra impostos aviltantes de seus consumidores. Será que esse aumento de tarifa dos importados não é para proteger a arrecadação de impostos escorchantes que pagamos junto com os automóveis?

A retórica do governo pegou bem, mas quem foi pego mesmo foi o nosso bolso. Quem sabe agora essa medida dê vazão aos milhares de carros nacionais que estão encalhados nos pátios das montadoras. A retórica pegaria melhor ainda se o governo recomendasse também às montadoras que baixassem seus preços e lucros.

Prof. José R. Camacho
UFU – Eng. Elétrica – jrcamacho@ufu.br

Comentários 1

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  1. Alexandre disse:20/09/11 15:04

    Prof. Camacho: não entendi! O senhor reconhece prejuízos à indústria nacional, mas defende a medida?

    Responder