Divinos lucros
Vimos a cada dia o quanto aumenta a procura de muitos por “abrigo espiritual” e sob o manto de algumas denominações religiosas, enquanto deixam-se levar por palavras e gestos pomposos, rostos bonitos, promessas absurdas e psicodramas que causariam inveja aos maiores diretores e produtores hollywoodianos. Tudo bem que o governo não interfira em assuntos que dizem respeito à religião, o que – convenhamos – seria algo absurdamente temerário; ou, pior, que abraçasse essa ou aquela religião e ainda renegasse as outras. Mas deixar que empresas (verdadeiros conglomerados ditos celestiais) mascarem-se sob a forma de algo sacro, tornem-se alvos de extremados sentimentos de adoração e passem a recrutar e doutrinar pessoas geralmente despojadas de um mínimo de senso crítico, o qual pudesse servir-lhes de dique contra uma enxurrada de impropérios, é – imagino – algo que preocupa uma sociedade tomada de falsos Epictetos, Senecas e Diógenes. Que dificuldade haveria para que os seguidores de determinada religião colaborassem entre si em todos os setores que exigissem ações sociais e que não implicassem traições às suas respectivas doutrinas? Em vez de algumas daquelas igrejas dispensarem um precioso tempo se atacando mutuamente (ou viverem em função daquilo que imaginam estar errado em outros segmentos religiosos que não – é claro – os seus e tal e qual a parasitas), porque não se unirem às demais para que a paz seja assegurada; a fome, debelada; o analfabetismo, erradicado; e a dignidade do homem, elevada? Pode até acontecer que, em conversas pessoais, cristãos de diálogo diversos se compreendam melhor e subtraiam equívocos sobre a fé de cada um; que bom! A partir do momento em que pessoas deixam de submeter-se a falsos pastores (de excelente oratória) e que se autoproclamam “cheios do poder de Deus”, elas mesmas passarão a se convencer daquele mesmo poder por meio de suas próprias convicções religiosas, dispensando falsas argumentações teóricas e que visam unicamente ao bem-estar material de quem as ditam. Recentemente (e mais uma vez), todo o Brasil tomou conhecimento das acusações do Ministério Público Federal contra um reconhecido e autodenominado “bispo” de uma determinada igreja e que se vê às voltas com a Justiça, em função da exploração da boa-fé de terceiros. Até quando esse senhor se sentirá à vontade para continuar suas obras “celestiais”, a partir de tudo o que aufere de pessoas por ele convencidas e convertidas? Aquela sua empresa – que há décadas é protegida pelo manto da impunidade tributária – aos poucos vai revelando-se o porquê a que veio: criação de miniagências de captação de (muito) dinheiro e sob a forma de modernos e confortáveis templos, altíssimos investimentos internacionais, lavagem cerebral em pessoas carentes de uma personalidade consistente e, é claro, compra de estações de rádio e de televisão para a divulgação de suas bênçãos e cujas aplicações retornam em forma de milionários lucros financeiros. Parabéns ao Ministério Público Federal pela denúncia apresentada contra aquele conglomerado financeiro e o qual, para desviar a atenção do público, também insiste em disparar acusações contra a milenar e Santa Igreja Católica.
Gustavo Hoffay
Agente social
Uberlândia (MG)
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William H Stutz disse:23/09/11 9:02
Caro Gustavo Hoffay, ótima crônica. Pequenas igrejas grandes negócios. Um acinte o mercado da fé mundo a fora. Os tristes e desesperados que buscam em vão tábua redendora, caem na não de embusteiros da pior estirpe
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William H Stutz disse:23/09/11 9:03
Caro Gustavo Hoffay, ótima crônica. Pequenas igrejas grandes negócios. Um acinte o mercado da fé mundo a fora. Os tristes e desesperados que buscam em vão tábua redendora, caem na mão de embusteiros da pior estirpe
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Gustavo Hoffay disse:06/10/11 0:06
Caro dr. William,
Obrigado pelo seu comentário. Aliás, as suas criticas são sempre muito bem vindas.Paz e Bem.
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Comentários (3)