Ponto de Vista

Envie seu ponto de vista

Ponto de Vista Escreva você também para o Ponto de Vista. O artigo deve ter no máximo 3300 caracteres com espaço. A coluna é publicada de segunda-feira a domingo.

25/09/2011 0:11

Uma trajetória impressionante

Em 1998, os professores das universidades federais fizeram uma greve de quase cem dias para reivindicar um aumento nos salários e protestar contra a implantação de uma gratificação por produtividade.

Na Universidade Federal de Uberlândia, os professores do curso de Direito aderiram à greve, embora muitos tenham aproveitado o tempo para colocar o pijama (não trabalhar) em vez de protestar de fato. Neste episódio, conheci um estudante calouro com nome semelhante ao meu: Elisson Prieto.

Desse dia em diante atuamos juntos no movimento estudantil por duas gestões do DCE/UFU e em muitas outras iniciativas políticas. Elisson foi o único estudante a ser reeleito para a função de coordenador-geral do DCE/UFU (2000 e 2001) e participou de mais uma gestão como coordenador de ciências humanas (em 1999).
A trajetória desse militante é incrível. Agregando compromisso político, seriedade e habilidades de conciliação, Elisson atuou diretamente e foi protagonista nos processos que mais marcaram a UFU nas duas últimas décadas. Foi o representante dos estudantes na negociação do Regimento Interno da UFU, liderou a histórica campanha pela paridade nas eleições para reitor, elaborou o regimento interno da faculdade de Direito, além de inúmeros outros projetos do movimento estudantil que incluem a mudança na sede do DCE para dentro campus, a luta pela construção dos centros de convivência, dentre outros.

Em 2003, retornou à universidade para fazer um mestrado em Geografia, cuja dissertação envolveu um estudo profundo sobre a implantação de um novo campus universitário na Fazenda Glória. Ingressou na UFU como docente do Instituto de Geografia e, mesmo sendo um militante do PT e da esquerda, foi convidado pela reitoria, composta pelos conservadores, para coordenar os estudos de implantação do campus Glória. Na semana passada, o Conselho Universitário aprovou o Plano Diretor do novo campus. Um projeto sensacional em todos os aspectos. Virtuoso desde o formato de sua concepção, pelos custos operacionais e pelos méritos de inovação e soluções inteligentes.

A construção do campus Glória mudará para sempre a configuração da UFU neste século 21, que terá um dos campi mais contemporâneos e avançados do país. Veja aqui a projeção do projeto.
O Elisson e sua equipe merecem aplausos públicos, assim como a própria reitoria da UFU, que soube superar as divergências ideológicas em prol de uma convergência pelo interesse público e institucional.
Por este projeto e pela sua trajetória, Elisson Prieto coloca seu nome ao lado de um grupo muito seleto de idealizadores e fundadores da Universidade Federal de Uberlândia e da própria cidade de Uberlândia. Com apenas um detalhe, ele tem apenas 32 anos e não é oriundo das famílias tradicionais e abastadas, mas um militante político de esquerda, católico e fruto das lutas por um mundo mais justo e igual.
Meus caros professores Elisson e reitor Alfredo Júlio, recebam minhas saudações!

Edson Pistori
Professor da Escola Nacional de Administração Pública
edsonpistori@gmail.com

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. joao roberto spini machado disse:27/09/11 12:50

    Este Prieto citado pelo leitor,nao pertenceria a uma familia Prieto,que veio fugida da Ditadura Franquista,nas decadas de 50/60 para Uberlandia,e aqui,realizaram muito boas coisas,nos campos intelectuais,universitarios,radio e TV.Lembro-me,vagamente,deles.

    Responder