Uma trajetória impressionante
Em 1998, os professores das universidades federais fizeram uma greve de quase cem dias para reivindicar um aumento nos salários e protestar contra a implantação de uma gratificação por produtividade.
Na Universidade Federal de Uberlândia, os professores do curso de Direito aderiram à greve, embora muitos tenham aproveitado o tempo para colocar o pijama (não trabalhar) em vez de protestar de fato. Neste episódio, conheci um estudante calouro com nome semelhante ao meu: Elisson Prieto.
Desse dia em diante atuamos juntos no movimento estudantil por duas gestões do DCE/UFU e em muitas outras iniciativas políticas. Elisson foi o único estudante a ser reeleito para a função de coordenador-geral do DCE/UFU (2000 e 2001) e participou de mais uma gestão como coordenador de ciências humanas (em 1999).
A trajetória desse militante é incrível. Agregando compromisso político, seriedade e habilidades de conciliação, Elisson atuou diretamente e foi protagonista nos processos que mais marcaram a UFU nas duas últimas décadas. Foi o representante dos estudantes na negociação do Regimento Interno da UFU, liderou a histórica campanha pela paridade nas eleições para reitor, elaborou o regimento interno da faculdade de Direito, além de inúmeros outros projetos do movimento estudantil que incluem a mudança na sede do DCE para dentro campus, a luta pela construção dos centros de convivência, dentre outros.
Em 2003, retornou à universidade para fazer um mestrado em Geografia, cuja dissertação envolveu um estudo profundo sobre a implantação de um novo campus universitário na Fazenda Glória. Ingressou na UFU como docente do Instituto de Geografia e, mesmo sendo um militante do PT e da esquerda, foi convidado pela reitoria, composta pelos conservadores, para coordenar os estudos de implantação do campus Glória. Na semana passada, o Conselho Universitário aprovou o Plano Diretor do novo campus. Um projeto sensacional em todos os aspectos. Virtuoso desde o formato de sua concepção, pelos custos operacionais e pelos méritos de inovação e soluções inteligentes.
A construção do campus Glória mudará para sempre a configuração da UFU neste século 21, que terá um dos campi mais contemporâneos e avançados do país. Veja aqui a projeção do projeto.
O Elisson e sua equipe merecem aplausos públicos, assim como a própria reitoria da UFU, que soube superar as divergências ideológicas em prol de uma convergência pelo interesse público e institucional.
Por este projeto e pela sua trajetória, Elisson Prieto coloca seu nome ao lado de um grupo muito seleto de idealizadores e fundadores da Universidade Federal de Uberlândia e da própria cidade de Uberlândia. Com apenas um detalhe, ele tem apenas 32 anos e não é oriundo das famílias tradicionais e abastadas, mas um militante político de esquerda, católico e fruto das lutas por um mundo mais justo e igual.
Meus caros professores Elisson e reitor Alfredo Júlio, recebam minhas saudações!
Edson Pistori
Professor da Escola Nacional de Administração Pública
edsonpistori@gmail.com
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joao roberto spini machado disse:27/09/11 12:50
Este Prieto citado pelo leitor,nao pertenceria a uma familia Prieto,que veio fugida da Ditadura Franquista,nas decadas de 50/60 para Uberlandia,e aqui,realizaram muito boas coisas,nos campos intelectuais,universitarios,radio e TV.Lembro-me,vagamente,deles.
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