Carta aos distantes
Venho falar aos administradores públicos, aos deputados, senadores e ministros, aos políticos em geral; àqueles que marcam nossos rumos e abrandam ou deveriam abrandar as nossas feridas… E são muitas! E, nas bases destas estão os salários, dividindo e distanciando cada vez mais dois mundos opostos, numa divisão injusta e inaceitável.
O mínimo continua sendo “mínimo”, e só Deus sabe o quanto é difícil com ele, ou só com criar e educar nossos filhos! A miséria espalha sementes e elas como não poderiam deixar de ser sujam o mundo em que vivemos; produzem lixos que, direta, ou indiretamente acabarão alcançando-os também.
Tudo que é vida tem vontade de viver, mesmo que tenha de se arrastar. Podemos ver suas sementes nos lares, nas ruas e principalmente nas praças, na deprimente fumaça da maconha, nas crianças assassinadas; vidas decepadas ainda na puberdade; já semimortos antes de morrer.
Vemos os cadáveres, mas não vemos seus assassinos; a morte vem de longe e têm mil disfarces, o pranto dos pais tem pouco alcance e o vento da pressa e do descaso logo o desvanece.
Também nas famílias abastadas isso acontece, dirá alguém “mais ai o caso é outro”.
A falta de perspectiva de vida, a ignorância, o desespero dos pais em abastecer as mesas dos seus filhos roubam-lhes o tempo e desviam a atenção que deveria dar a eles, também as escolas públicas pouco têm a lhes oferecer.
A criança, na ausência dos pais, agarra-se ao que tiver a seu alcance… e perto estão os traficantes de drogas; vampiros!… Mas também não são vampiros os que sugam oportunidades e a esperança do povo!? Se do próprio povo são frutos!!
Falo da droga mais poderia falar de uma infinidade de outros temas aos quais dou o nome de preocupações, coisas que roem em silêncio os corações assalariados…
Pobre também tem coração, embora muitos não creiam.
Falo aos políticos que continuam tão longe e bem protegidos dos anseios do povão.
Falo àqueles que nós mesmos construímos e com nossos votos insensatos, ao acaso, com nossos descasos, frutos das nossas necessidades e da falta de informação.
Os currais eleitoreiros continuam e continua fácil arrebanhar o gado. Falo aos nossos “escolhidos” e sei que há muita gente boa por ai, falo das minhas e de milhares de outros como eu, falo das nossas preocupações e arrisco minha humilde opinião.
Quem sabe a solução não esteja na própria palavra “preocupação”?… Porque não?! Talvez se desviassem os rumos dos interesses próprios para os interesses do povão; briga-se tanto contra um pequeno aumento no salario mínimo, fala-se de um enorme rombo nos cofres públicos, já tão arrombados por outras causas… Será?
Onde esta a tão prometida luta pela igualdade?
Estão no bom caminho, não há como negar, as mudanças se fazem devagar, mas, será que não é hora de dar um empurrãozinho!?
Falo também pelo meu… Se é tão fácil aumentar o seus! Esta é minha humilde opinião.
Ciro Batista Gomes
Funcionário público
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ANA disse:27/09/11 14:54
PARABENS CIRO VC FALOU TUDO
NÃO TENHO QUE DIZER ESTA TUDO AI NESTE SEU DESABAFO QUE SE FAZ DE TODOS NOS BRASILEIRO.
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