Um milhão
Quase em estado de êxtase, diversas pessoas comentam o fato de que, em breve, esta cidade comportará um milhão de habitantes! Se, por um lado, essa previsão evidencia um assombro em quem sofre ou já sofreu o tormento de residir em alguma sufocante metrópole, por outro fica evidente que chegar àquela marca em pouco mais de cem anos é, sim, uma lógica consequência da inteligência e do espírito arrojado e empreendedor de homens e mulheres de todas as raças e classes sociais que, nascidos aqui ou imigrados desde cidades, estados e (até) países diversos, contribuíram, cada um ao seu modo, para o extraordinário avanço aqui verificado e sentido nas áreas de telecomunicação, medicina, agronegócio, indústria, comércio e serviço. Para alguns, essa vitoriosa jornada não é muito bem-vinda e em vista do aumento de problemas relacionados à criminalidade e ao trânsito.
Ora! Essas e outras consequências naturais e já previstas solicitam não apenas a especial atenção das nossas autoridades municipais, mas também de todos os cidadãos. Deixar de envolver princípios de filosofia e de moral nessa questão é que seria algo por demais temeroso para a atual e as futuras gerações de uberlandenses e uberlandinos.
Baseado na leitura da obra de L. Lebret “Suicídio ou Sobrevivência no Ocidente”, na qual o referido autor cita que “o maior mal do mundo não é a pobreza dos necessitados, mas a inconsciência dos abastados e dos fartos”, passei a crer na necessidade de fazer valer, ainda mais, em nossa cidade, a honestidade e a justiça na consciência e nos atos de cada um de nós.
Seja-me lícito frisar que o meu receio com o acelerado crescimento dessa cidade não está unicamente relacionado à qualidade material de vida dos seus habitantes, mas, antes de tudo, a uma crise moral que só seria evitada a partir do aprimoramento de consciências que ainda não perceberam que a “fila está andando” rumo a um progresso ainda maior. Ações já estão sendo praticadas e planos devem estar em fase de conclusão, visando impedir calamidades ou esgotamento nas áreas de saúde, saneamento básico, trânsito, segurança, energia, habitação e educação, principalmente.
Comumente, entretanto, pego-me perguntando se realmente vale a pena viver em uma cidade que cresce vertiginosamente ou, por outro lado, melhor seria conviver em comunidades menores e mais bem estruturadas em termos de segurança, comodidade e produtividade! Até que ponto seria bom para Uberlândia alcançar já o número de um milhão de habitantes, trazendo a reboque todos os problemas inerentes a esse crescimento comuns à grande maioria das cidades do seu porte? Estariam os nossos políticos e em especial aqueles que dizem preocupar-se com a área social, realmente preparados para lidar com todas as consequências dessa nova era?
Bem, se chegamos até 600 mil é porque não faltou capacidade para tal, mas administrar um milhão são outros “quinhentos” e espero que continuemos ter cacife suficiente para seguir em frente com tanta gente. Crescer, expandir é muito bom, desde que se mantenham a qualidade de vida e a esperança de dias ainda melhores.
Gustavo Hoffay
Agente social
Uberlândia (MG)
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