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9/10/2011 6:00

Monges, corrupção e poder

Está certa a Associação Nacional dos Delegados da Policia Federal, que enfatizou recentemente o fato de o combate à corrupção não estar contemplado pelo plano plurianual 2012—2015, divulgado em 31/8 p. p., e que certamente servirá para inibir investimentos contra aquele câncer que corrói, sem dó nem piedade, o que ainda resta de esperança em nosso povo com relação à seriedade e lisura com que devem ser tratados os negócios governamentais em nosso país.

A impressão que tenho – compartilhada por alguns dos meus parentes e amigos – é que estamos órfãos e necessitados de um líder que agarre, com firmeza, determinação e pouca conversa o timão que poderá conduzir-nos a objetivos e aos resultados práticos e legais em nosso dia a dia. E de pouco adianta a cada brasileiro, indistintamente, instituir severa vigilância e sem interrupção sobre membros do governo que nos inquietam por meio da nossa própria desconfiança em relação aos seus atos.

Mas pergunto: de que forma chegar à melhor maneira de evitar que a corrupção se constitucionalize? Humildemente, sugiro que, iguais aos monges do deserto, com seus olhares fixos em determinado ponto, recorram a Deus diante de tantos e atribulados momentos. Sim, pois somente Ele é capaz de salvar-nos de tamanhas artimanhas e, ao mesmo tempo, fazer com que, enquanto vigilantes, não deixemos de honrar os nossos compromissos pessoais e familiares. O uso de jaculatórias governamentais contra aquele câncer – a corrupção – já deve ser entendido como desespero supremo e originado de muitas e cabeludas demagogias. Francamente…

Quem tem na mente o combate à corrupção em momento algum pode deixar que o desânimo pessoal, diante de tantas falcatruas, se arrefeça e ao ponto de pensar que esmurra em ponta de faca!
A corrupção – sabemos – tem provocado estragos e revelado-nos a outra face de “homens” acima de qualquer suspeita, a sua pequenez e os seus defeitos explícitos de caráter, camuflados sob ternos de linho, camisas de cambraia e gravatas de seda. E o que mais me impressiona é o fato de que, por fora, a corrupção dá a impressão de aumentar o poder de alguns homens e algumas mulheres. Talvez até esses se ensoberbeçam de tudo o que o seu “estafante” trabalho já lhes proporcionou.

Mas quando alguém olha para seu próprio desenvolvimento como pessoa e verifica que o que possui é fruto exclusivo do seu próprio e nobre esforço, não é um sentimento de orgulho que o domina, mas, antes, a humildade, porque a cada etapa vencida e por seus próprios méritos é sinal de que é verdadeiro homem e, como tal, deve ser respeitado.

Enquanto os agentes da corrupção não souberem estabelecer uma escala de valores mediante uma série de profundas reflexões (até filosóficas), as próximas gerações de brasileiros vão preparar a própria ruína. Mas, por favor, nada de “caminhadas” ou “panelaços” contra a corrupção. Essas iniciativas serviriam apenas para deixar os corruptos e corruptores ainda mais radiantes com seu próprio sucesso.

Gustavo Hoffay
Agente social
palavra.vida@click21.com.br

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