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3/11/2011 6:31

Vereadores

Parabéns Sr. Alceu por denunciar, na edição de 26/10/11, mais esta demonstração de total desprezo dos senhores vereadores e da deterioração que sofre o poder legislativo. Aliás, tais demonstrações estão lá no plenário todos os dias, com seus oradores falando ao vento, suas nobres excelências plugados em celulares e laptops, as votações em que se vota sem saber sequer do que se trata, todas narradas a ritmo de corrida de cavalos.
É fantástico ver discutirem sobre aumentos de salários e justificarem, exclusiva e descaradamente para si, a proibida indexação. Como previ, sem muita chance de errar, aceitamos “bovinamente” o aumento do número de vereadores, sem que se tenha perguntado a nenhum de nós quem apoia tamanho disparate. A estratégia foi a de sempre: a lei diz, malandramente: “poderá haver até 27 vereadores”. Adivinhe quantos serão? Aceitaremos as campanhas vazias e sujas; o uso dos cabos eleitorais que, ao se tornarem assessores, continuam sendo cabos eleitorais; o desperdício de grande parte do tempo, bastante caro por sinal, para solicitar limpeza de bueiros, pintura de meio-fio, alterar nome de banco de praça e para outras bizarrices.
Aceitaremos o fato de ser o político o único profissional a não precisar qualquer pré-requisito, preparo, capacitação ou reciclagem. É o único que já nasce pronto; coisa de gênio. Se ganhar a eleição, está naturalmente preparado para legislar sobre saúde, educação, administração, finanças, segurança, obras e por aí vai. Nem me arrisco a sugerir que saibam, ao menos, falar e escrever corretamente, pois serei apedrejado. No país das maravilhas, exige-se 2º grau completo para qualquer função; para ser vereador basta habilidade política, exposição pública, bons relacionamentos e algum dinheiro. O cara que conserta minha televisão deve ser habilitado; o que conserta (ou deveria consertar) minha cidade surge por geração espontânea.
Aceitaremos o disparate de ver os que seriam nossos representantes apequenarem-se entre representantes do governo ou contra o governo. A referência deles passa a ser o senhor prefeito, de onde verdadeiramente emana todo o poder; o senhor povo, de onde emanam apenas maus cheiros, fica para alguns meses antes das próximas eleições. Só fico tranquilo porque eles garantiram que irão aumentar o número de vereadores, gabinetes, assessores, salários, verbas, carros, papéis sem que, milagrosamente, aumentem os gastos com o poder legislativo. Ufa, ainda bem. Pelo menos alguma notícia boa!

Thogo Lemos
Médico – Uberlândia/MG – thogosantos@gmail.com

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