Viver é perigoso!
Vez em quando, os jornais noticiam a queda de algum satélite que orbita em torno do nosso planeta. Em meados de fevereiro, deu-se a colisão entre um satélite russo e um americano e os detritos caíram no mar. Sorte nossa, somos 75% água, o que torna mais difícil (não impossível) que alguns deles apareçam em nosso quintal. Dia desses despencou um satélite alemão. Não fiquei sabendo do seu destino, mas os fatos aguçaram a minha curiosidade.
O professor Google surpreendeu-me: tudo começou com o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra. Hoje, com a evolução tecnológica, há cerca de 800 satélites ativos em órbita. Finda a vida útil, os aparelhos são desligados tornando-se lixo espacial. Temos atualmente cerca de 20 mil destroços, que, aos poucos, vão perdendo a altitude e mais cedo ou mais tarde cairão… O prof. Google contou-me também que a possibilidade de sermos atingidos por um pedaço é reduzida, sendo as chances de uma em 2 mil. Indubitavelmente a chance existe. Mal não faz, agarro a Oração do Poder de Deus e peço que de todo mal sejamos livrados, inclusive de sermos sorteados com um detrito de satélite…
Não bastasse o que vem dos céus, enfrentamos riscos à saúde cada vez mais mirabolantes. No Recife foram apreendidos contêineres carregados de lençóis e outros produtos usados em hospitais norte-americanos. Incrível! Estamos importando lixo hospitalar, não fosse suficiente o que temos aqui. Através de denúncias, descobriu-se que fábricas de tecido usam o produto para confecção de roupas vendidas em todo o país e que vão parar também em camas de hospitais, motéis, hotéis… Barbaridade! As bactérias dos EUA vão entrando em nosso país, sem mais nem porque, transmitindo doenças por meio de tecidos embarcados clandestinamente. Em Pernambuco, uma fábrica de forros de bolso fazia uso destas porcarias vindas de além-mar… Cuidado ao enfiar a mão no bolso! Não se sabe os perigos que se escondem nos próprios.
É impressionante! Bandidos que atentam contra a nossa vida, integridade e segurança temos para dar e vender. Mas de vez em quando importamos alguns de fora, criminosos em seus países, que aqui vivem felizes pelo resto da vida. Isto lembra alguns filmes antigos, principalmente americanos. No fim, quando o vilão conseguia escapar das garras da Justiça, o destino era sempre o Brasil, ao som de um mambo, uma loura nos braços e um largo sorriso no rosto, encimado por um bigode fino… A vida imita a arte! Ou a arte imita a vida?
E o Enem tem se mostrado um risco à sociedade, principalmente à saúde de estudantes e pais, em perigo de se enfartarem diante de tanta trapalhada. Criado em 1998 para ser uma ferramenta de avaliação do desempenho do estudante que acabava de concluir o ensino básico, cumpriu satisfatoriamente seu papel até 2009, quando foi reformulado para substituir os tradicionais vestibulares. E desde então, fraudes, falhas, vazamentos forma manchando a reputação dos exames e colocando em xeque a segurança e credibilidade do processo. Haja coração, haja cabeça, haja nervos para enfrentar tantas trapalhadas, depois de um longo e estressante tempo de espera e de estudo. A vida por si só é perigosa… Por que tanto esforço para torná-la mais perigosa ainda?
Marília Alves Cunha – Educadora
Uberlândia (MG)
mariliacunha16@hotmail.com
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