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11/11/2011 6:22

Saúde do homem – I

E pensar que esta história começou com um grande Irmão Psiquiatra, que literalmente me tirou de rota de colisão comigo mesmo, me fez assumir novamente o manche de minha vida, me permitiu voar em céu de brigadeiro, resgatando meu perdido norte.

Por mais que relutemos em aceitar o passar do tempo, chega uma hora em que temos que nos submeter a um check-up geral, daqueles que te reviram de ponta cabeça mesmo. As mulheres são muito mais cuidadosas do que nós. É só surgir a primeira menstruação e já criam rotina saudável de agendar visitas periódicas ao ginecologista. Com elas, qualquer sinalzinho diferente na pele é motivo para irem correndo ao dermatologista. Quer mais? Homem só vai ao dentista quando dente dói!

O porcentual de mulheres com as cadernetas de vacinação completas é surpreendentemente maior do que o dos homens. Na nossa, geralmente temos a antitetânica e a febre amarela, pois uma é quase sempre exigência trabalhista e, sem a outra, não se atravessa se frequenta regiões de pesca onde a doença reina selvagem. Homens geralmente gostam de pescar. Eu particularmente só pesco de rede.

Isso mesmo, rede. Chego à beira do rio, acho bela sombra, estendo minha rede, em local mais alto, me deito, pego um bom livro, uma cerveja e, vez ou outra, dou olhada para as canoas. Pesco não.

Que fique bem claro que, infelizmente, estou falando de uma camada da população que domina o conhecimento e tem acesso a serviço médico de qualidade, infelizmente uma minoria. Basta ver as alarmantes estatísticas de casos de câncer de útero de próstata, de mama, e outras tantas doenças evitáveis, cuja prevenção e atenção médica em muitas cidades estão distantes, fora do alcance da população. Enumerá-las aqui seria um desafio.

Em quase todos nós, ao contrário das mulheres, a segurança absoluta de saúde plena já começa a balançar nas antessalas dos consultórios médicos. Um medo inexplicável vem do quase nada. Digo quase nada, porque, na realidade, ele é totalmente justificado. Já notaram as feições dos outros que estão ali sentados? Uns folheiam revistas vencidas sem ler, batem o pé sem parar em visível estado de tensão, outros lhe dirigem sorrisos sem graça, sorriso esse que pode ser de autopiedade ou de dó da gente a pensar: ”coitado, esse aí está pior do que eu”. Mesmo que você tenha entrado ali para buscar uma receita para outra pessoa, no clima da antessala do doutor você já começa, mentalmente, a escanear seu corpo. Será que aquela dorzinha de cabeça que tive em abril poderia ser um aneurisma? E o formigamento que senti mês passado? A dor no estômago outro dia estava estranha. O pensar que se tem é, às vezes, pior do que ter, pois o que se pode ter, geralmente, é simples de resolver.

Cada um, acredito, tem seu “timing”, seu momento em que percebe que já não é mais o super-homem de ontem que podia todo santo dia se deliciar com dobradinhas do Cidão, feijoadas aos sábados e picanha gorda domingo com a família. Sem contar as cervejas geladas ao fim da tarde, de terça a domingo. Claro, segunda-feira não pode.

Em entrevista que vi de um integrante do famoso Harlem Globetrotters, o atleta respondeu magistralmente à pergunta sobre a hora de parar de jogar: “The head says go the legs say no”, resumindo filosoficamente: a condição humana para tudo, não apenas esporte. (continua)

William H Stutz
Veterinário sanitarista
whstutz@gmail.com

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