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15/11/2011 6:05

Mercado e Estado

Terminando de ler o livro do economista norte-americano Iam Bremmer, “O fim do livre mercado”, não poderia me furtar de comentar alguns pontos que achei pertinentes trabalhados no texto dividido em 6 capítulos e pouco mais de 195 páginas.

O autor trabalha a ideia, ao longo de todo o livro, de que, após o colapso dos mercados em 2008, a livre movimentação de capitais, investimentos, produtos e até pessoas fora colocada em xeque por um sistema capitalista ao estilo russo, chinês e, em menor grau, até brasileiro, em que o Estado toma a dianteira da dinâmica econômica e assume a responsabilidade pela administração de setores econômicos inteiros da economia, adotando medidas protecionistas em favor das líderes nacionais e inibindo a concorrência estrangeira.

A crise, como mencionada no texto, não se tratou de uma falha nos livres mercados, mas sim uma falha do governo como ator que deveria regulamentar os excessos destes mercados, gostei muito quando, começando o último capítulo, o autor disse que a luta não é por menos Estado, mas sim por melhor Estado e esta frase podemos traduzir para o caso brasileiro.

Durante o capítulo 4º, o autor dedica em torno de 4 páginas para avaliar o caso brasileiro, em que elogia as reformas pró-mercado (inclua-se abertura comercial e financeira, além das privatizações) que ocorreram durante o governo FHC e que foram mantidas pelo seu sucessor. Mas gostaria de ir além.

Ao definir capitalismo de Estado, Iam Bremmer acusa a incapacidade do governo em gerar prosperidade em longo prazo. Isto ocorre, principalmente, devido ao fato de que os governos sacrificam o projeto de desenvolvimento nacional em prol de seus projetos políticos e, com isto, asfixiam pela burocracia a capacidade do setor privado em gerar inovações, acirrar a concorrência e garantir o bem-estar de longo prazo.

A partir deste conceito podemos fazer uma alusão clara ao Brasil da atualidade, ou seja, um país que, durante algum tempo, deu certo no curto prazo, mas o engessamento das regras, o excesso de burocracia, a corrupção começam a demonstrar que, em longo prazo, a atuação deste governo deva ser repensada.

No caso brasileiro, nosso governo trabalha com medidas imediatistas, tapando buracos de uma eleição para outra para que a população não perceba os problemas que nos assolam, exemplo nítido é a aplicação do PAC em 2007 como uma tentativa de justificar os pífios crescimentos econômicos demonstrados em anos anteriores.

Em 2010, vimos uma imensa movimentação de obras por todo o país e hoje, passada a eleição, qual é a sensação? De que o país parou. E a questão cambial, grande algoz da desindustrialização brasileira, está sendo enfrentada com medidas de longo prazo ou de cunho imediatista? E assim podemos citar as questões previdenciária, tributária, trabalhista, que sufocam nosso setor privado e que não estão sendo enfrentadas pelo governo do PT ao longo destes nove anos. Alguém já parou pra se perguntar por que um bom vinho argentino custa mais barato que um bom vinho nacional? Ou por que viajar para os países sul-americanos custa menos do que viajar para o litoral nordestino?

Falta-nos uma estratégia, precisamos nos preparar para competir em um mundo cada vez mais complexo, e não é com medidas de socorro em curto prazo que teremos êxito em nossa missão, precisamos retomar a pauta de reformas, caso contrário, corremos o risco de ficar velhos antes de ficarmos ricos.

Benito Salomão
Uberlândia (MG)

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