Não precisa explicar
Esta frase foi usada em programa humorístico mais antigo e esquecido. No simples, a gozação era aplicada toda vez que os fatos acontecidos contrariavam a inteligência do humorista ouvinte – frequentemente mesmo porque não tinham explicação.
Pois bem, caro colega de não entender ou ignorar, penso que a frase está bem para a nossa e a mundial população. Em anos passados, o mundo jogava as vidas e a economia por cartas conhecidas e programadas. Existiam países ricos e conservadores, moeda, negócios e vidas padronizadas.
Quem poderia imaginar o terremoto dos Estados Unidos, o dólar caindo de finca como avalista mundial da riqueza? E a Europa supercivilizada e programada criando a sua moeda própria e comum – o tal euro – uma pretensão invejável para o resto dos continentes.
E nós da Amerda do Sul, na draga e nas imposições dos ricos? Pior exemplo que eu visitei e assisti: a China comunista, onde, ao lado do meu hotel em Pequim, tinha um campo aberto onde vinham há uns 20 anos plantar verduras com insuportável esterco de cheiro humano.
Pois bem, eu me lembro de uma infância contando-me a criação do mundo pela fiscalização divina.
Cada coisa que Deus criava, olhava e dizia: isto está bem – e seguia suas novidades. Um dia, eu penso, Deus parou e foi ajeitar outros planetas, mundos e gentes.
A coisa por aqui ficou meio abandonada – daí a enorme desigualdade das nossas vidas. Os ricos tinham de tudo, pisavam nos pobres que gemiam… e nada podiam fazer.
Acontece que na minha explicação – é preciso entender! Deus voltou e viu que a coisa ia mal. Resolveu “moto próprio” – por sua vontade pessoal, Fernando! – que a terra merecia um balanço na vida. Sem ninguém saber ou perceber, Deus vem mudando as peças do nosso jogo de xadrez.
Procedeu simples, como seu espírito na criação. Criou riquezas novas em que eram ignorados os bens de exploração do solo e sua riqueza pela necessidade dos ricos.
E o subsolo, o petróleo, os minerais novos, as comunicações transferindo e simplificando a cultura e suas oportunidades, o mundo recebendo e absorvendo estes novos tempos…
Não é que estamos todos iguais – ainda existe miséria, pobreza, sofrimentos em continentes e povos ainda amargurados, mas a coisa está caminhando para conhecer e nivelar – perguntem à Grécia de hoje, aos plantões sofridos da bolsa financeira dos ricos e ociosos… Os meios de comunicação evidenciam os novos tempos, ainda em marcha, porém mais aberta e comunicante. Neste bom Brasil, em séculos passados, quem ia pra Europa civilizada?
Só dom João, mulher e filhos. Hoje tem brasileiro em Harvard… Yale etc. Com as comunicações globais, não é preciso me explicar. Eu só queria entender como é que o meu Dino, ali da beira do Rio do Peixe, me entendeu quando o chamei pra pescar no sábado – e ele respondeu: “yes, patrão, vambora”.
Não me expliquem… eu só queria entender…
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)
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