Ponto de Vista

Envie seu ponto de vista

Ponto de Vista Escreva você também para o Ponto de Vista. O artigo deve ter no máximo 3300 caracteres com espaço. A coluna é publicada de segunda-feira a domingo.

22/11/2011 6:17

A consciência negra do Brasil

Os negros, apesar de serem maioria étnica no Brasil, conforme as perspectivas de crescimento da população brasileira, estão praticamente fora do parlamento no país. O primeiro parlamentar federal negro eleito foi Eduardo Gonçalves Ribeiro, maranhense e filho de escrava.

Anteriormente, já havia sido o primeiro afrodescendente a assumir um governo de província, a do Amazonas em 1892 até 1896, logo em seguida é eleito senador, mas não toma posse.

Em 1897 foi eleito deputado federal, exercendo o mandato até sua morte em 1900.

A atual legislatura do Congresso Nacional tem apenas 9% de congressistas negros, o que equivale a 44 deputados e deputadas. Já a Frente Negra do Congresso Nacional, criada em maio de 2007, tem uma composição bem melhor e até certo ponto expressiva, 220 deputados e 4 senadores, sendo o PT o partido que mais possui membros, com 70 deputados, o PMDB com 44 deputados, o DEM com 12 deputados e o PSB com 11 deputados.

Os senadores dessa frente são oriundos do Bloco PT/PCdoB. No entanto, somente 11 partidos políticos dos 29 legalmente constituídos no TSE – Tribunal Superior Eleitoral – têm secretarias dedicadas aos negros ou de setorial afro, são eles: PHS, PSB, PT, PMDB, PDT, PTB, PRB, PSTU, PCO, PSOL e PSDB, com o seu Tucanafro.

Nas últimas eleições foram eleitos 46 deputados estaduais, 68 vereadores nas capitais e 44 deputados federais, cuja faixa etária dos parlamentares negros no Congresso Nacional tem 9 parlamentares entre 22 e 40 anos de idade e 35 com 41 anos de idade.

Na sua maioria, 92% têm formação em nível de 3º grau, dos quais a maior parte deles exerce profissões como professor, pedagogo e outras ligadas à educação: 11; advogado ou com formação em Bacharel de Direito: 11; 5 são servidores públicos; 4 se autodeclaram empresários, comerciantes ou administrador; 1 é agropecuarista, 2 são médicos, e há ainda aqueles que informaram exercer outras profissões como radialistas, 4; engenharia 1; pastor 1; geógrafo 1; humorista 1 e esportista também.

Essa exclusão dos negros na vida política brasileira reflete ainda a forma equivocada como a abolição da escravatura foi feita, pois deixou os ex-escravos de fora de setores essenciais da vida em sociedade, como o acesso à educação, trabalho e, como os dados do Balanço do Voto Étnico Negro mostram, também do processo eleitoral.

Mesmo levando-se em conta as projeções que apontam o Brasil como país de maioria populacional negra, conforme os indicadores do Censo de 2010 do IGBE – Instituto Brasileiro de Estatística.

Portanto, as aspirações da abolição de 1888 ainda não deram os resultados esperados e é preciso uma nova abolição para pôr, minimamente, brancos e negros em nível de igualdade para fazer do Brasil uma nação justa e igual para todos e todas.

Alexandre Braga
Diretor Nacional de Comunicação da UNEGRO – União de Negros Pela Igualdade – bragafilosofia@yahoo.com.br

Comentários (3)

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Diógenes Pereira da Silva disse:22/11/11 6:54

    Ilustre Senhor Alexandre Braga, bom dia!!!

    Seu texto é esclarecedor, principalmente para os próprios negros, onde muitos começaram a assumir à própria identidade, quando o governo do PT começou a difundir amabilidades.
    Em que pese o governo federal tentar minimizar as desigualdades entre brancos e negros, a realidade está aquém das demandas verdadeiras.
    Nós negros não precisamos viver de altruísmo de quem quer que seja, precisamos é de oportunidades em paridade. Para tanto, é fundamental que as conquistas sejam pleiteadas pela própria identificação como qualificativa de eqüidade.
    Existe em nossa sociedade brasileira, cidadão negro que não se considera negro, embora filho de pais negros. Falo isso, porque sou filho de pai negro e mãe branca e somos 06 (seis) irmãos. Alguns saíram com a cútis bem clara e cabelos lisos, outros não.
    Enquanto o cidadão não assumir sua própria identidade, as desigualdades permanecerão.

    A tendência da desigualdade social entre brancos e negros é diminuir, não pela luta da maioria negra, mas pela consciência, principalmente dos brancos de que não adianta lutar contra o óbvio.

    Diógenes- cidadão negro com muito orgulho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Responder
  2. Xadem disse:24/11/11 9:09

    Para completar, se é que precisa de complemento, o texto:

    http://www.youtube.com/watch?v=bkvjsqv-gHo

    Grande Abraço!

    Xadem

    Responder
  3. verinha machado disse:03/03/12 16:35

    Muito bom se comentário, eu transcrevi em meu blg.
    ECOAR UM GRITO DE LIBERDADE NEGRO.
    Um prazer.

    Responder