O que querem os professores?
“Grevista é alguém que deixa,
às vezes, de trabalhar para poder trabalhar.” (Julio Camargo)
Houve considerável esforço, com o prestimoso concurso de boa parte da mídia, em se rotular de “política” a recente greve dos professores da Rede de Educação do Estado de Minas Gerais.
O movimento, com extensão de quase três meses e repercussões marcantes em todas as áreas da comunidade mineira, agregou compreensivelmente expressivos apoios políticos em todos os partidos por sinal, mas não foi inequivocamente uma “greve política”, na caracterização depreciativa incorretamente propagada. O que a incalculável multidão composta de profissionais da educação, concentrada diariamente nas imediações do Parlamento Mineiro em Belo Horizonte cuidou de transmitir às autoridades e à sociedade foi seu justificável inconformismo diante do tratamento injusto que se lhes tem sido dispensado ao longo dos anos em razão de uma política remuneratória que faz questão solene de ignorar direitos elementares e que, arrogantemente, menoscaba até decisões transitadas em julgado.
Diante da incompreensível resistência dos setores competentes em se sentarem à mesa para as negociações recomendáveis, à categoria não sobrou outra alternativa, senão a da paralisação das aulas, com todas as consequências desagradáveis daí advindas.
Ninguém de bom senso ousará por certo classificar de extravagante ou absurda a pretensão dos educadores mineiros. O que simplesmente almejam é se verem contemplados com salários que respeitem o piso fixado pela Suprema Corte, ou com estipêndios (vá lá!) equivalentes, pelo menos, aos de outras respeitáveis categorias do serviço público já conseguiram Soldados da PM em início de carreira, pra ficar num exemplo.
A providencial intervenção de parlamentares, conscientes da extensão e gravidade do problema e da legitimidade das reivindicações trazidas pelos agentes da Educação, recolocou a candente questão nos trilhos certos. Fica-se a esperar agora, com as portas finalmente abertas ao diálogo amplo e aberto, instrumento democrático importantíssimo na construção de convergências, infelizmente desprezado a princípio pelo Governo do Estado, que se chegue logo e rapidamente aos entendimentos em curso ao tão almejado desfecho dessa situação.
Um desfecho que implicará inapelavelmente, a prevalecerem o bom senso e a consciência social, no reconhecimento das postulações da classe dos professores, que outra coisa não significam além de um brado carregado de expectativa e esperança em favor da dignidade profissional.
Estou sendo posto neste momento a par, no momento preciso em que estas considerações são encaminhadas à publicação, de uma inesperada contramarcha nas negociações entre as partes.
Faço votos sinceros para que o impasse entre professores e autoridades do Estado seja o mais rapidamente possível contornado de maneira a ficarem resguardados todos os respeitáveis interesses colocados em jogo nessa momentosa questão.
César Vanucci
Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)
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Marilia Cunha disse:25/11/11 20:36
Gostei muito da definição de grevista…
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