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7/12/2011 6:07

Ainda a pena de morte

Acompanho atento, aqui no CORREIO, o saudável debate sobre a pena de morte. Um SIM contundente e um NÃO bem embasado deram o tom da discussão. Particularmente, muito acredito que a tal já está em vigor desde o descobrimento, desde a chegada das caravelas embaladas por vento norte até o porto seguro da terra brazilis. Primeiro, entregamos miçangas e espelhinhos aos legítimos donos das praias, matas e tantas riquezas desejadas, depois, seja com bacamarte ou simples gripe, os levamos quase à extinção.

Hoje, em ato de mea culpa, o Estado tenta compensar aos filhos dos filhos daqueles que escaparam do holocausto tupiniquim concedendo e demarcando enormes glebas de terra a uns poucos que, por sua vez, em pleno século 21 continuam condenados à mesma pena de morte colonial. Hoje, os verdugos grileiros, garimpeiros e aventureiros que continuam, quando não recorrendo às armas, levam suas injeções letais em forma também de doenças.

Voltando à história: vieram os negros. Condenados ainda lá em mãe África ao degredo, sofrimento e morte. Muitos sucumbiam ainda nos porões das negras naus do terror muito antes de aqui aportarem. Avançando alguns séculos, esbarramos novamente com o tal século 21 e os afrodescendentes ainda são as maiores vítimas de penas de morte veladas. Basta observar qualquer estatística, por mais tendenciosa e malfeita que seja. Os negros continuam sendo as maiores vítimas de violência policial, social e econômica.

São abatidos, muitas vezes, pelo simples fato de estar andando nas ruas em horas e lugares, para alguns, “indevidos”. Não muito tempo atrás, contam, nem no Cine Uberlândia eles eram aceitos e no footing da praça eram obrigados a andar fora da calçada. Morte em vida. Preconceito também mata, portanto forma sublinear de pena de morte étnica.

Traficantes conduzem livremente o seu negócio macabro, condenando e aí democraticamente, pois não tem cor, sexo ou condição social que escape, milhares à lenta morte pelo vício. As milícias pipocam em cada bairro e, sob os olhares e proteção dos “homens de bem”, aprovam e aplaudem a cada corpo de ladrão, drogado ou andarilho encontrado com perfuração de bala na cabeça e na palma da mão, assinatura inconfundível de quem fez história aplicando pena máxima ao seu bel- prazer.

Só falta agora oficializar. Aparecer algum político e sugerir plebiscito e assim mudar nossa carta magna, então os hipócritas, vestidos de bons moços, fingirão esbravejo e votarão a favor. Aliás, em termos de Justiça, o Brasil sempre engendrou pelas tortuosas vias da contramão.

Uma polícia honesta e respeitada que tenha certeza que aqueles que prendem ficarão presos pelo tempo que forem condenados. Uma urgente reforma no Código Penal ou sei lá onde que deve se dar, mas que tenha menos brechas e artifícios para safar bandido. Mas não podemos esquecer que somos todos uma simbiose de santo e demônio. Cansados, quando a impunidade bate à nossa porta e envolve entes queridos, não raro desperta em qualquer um, no mais pacato dos humanos, o Código de Hamurabi ou lei do talião citado pela senhora Nereide Jorge em artigo outro dia. Não há sensatez, equilíbrio ou discurso que possam emudecer a besta que habita os labirintos escuros de nossa condição animal. Se o Estado falha, o bicho homem em apocalipse mostra suas garras. Instala-se a barbárie.

William H Stutz
Veterinário Sanitarista
whstutz@gmail.com – stutz@netsite.com.br

Comentários (7)

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  1. Mário Borges disse:07/12/11 8:31

    Dr. William, o nosso código deveria ser igual ao da nossa Matriz , ou seja, a dos EE.UU. , lá um criminoso é condenado a 30 anos de reclusão, vai cumprir exatamente os 30 anos , aqui no Brasil não acontece isto, veja a carta do jornalista Pedro Popó neste jornal, o criminoso foi condenado a 58 anos de reclusão, passou uns 6 anos de já obteve licença para passar férias de 5 dias em Uberlândia, na casa de seus genitores, isto chama-se progressão de pena , entretanto Ele não voltou ao presidio, foi considerado fugitivo, foi preso novamente e recambiado para o presidio de onde não deveria ter saído , logo…logo…Ele estará passeando ai por Uberlândia, as nossas leis protegem os criminosos em detrimento das vitimas e seus familiares , isto tem que ser modificado no Brasil.

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    • Capitão Pires disse:07/12/11 11:14

      Caro Mario Borges, este facínora bancou o bobo, se tivesse retornado conforme o combinado com a “JUSTIÇA” voltaria agora para passar o Natal e Ano Novo, e na próxima, dia das mães, certamente, voltaria para cá definitivamente. Agora pergunto, e os garotos imolados onde estão?

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    • William H Stutz disse:07/12/11 11:18

      Concordo plenamente, modificado e com urgência.

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  2. Xadem disse:07/12/11 10:24

    Eu sempre tenho dito: “Só falta agora oficializar.”.

    Eu já pensei, por diversas vezes, iniciar um movimento pela “pena de morte”, mas, aí, é bem provavel que eu seja, instantaneamente, condenado pela atual pena de morte que já vigora, só que não oficialmente.

    Nenhum cidadão pode ou deve faz-lo, somente enquanto cidadão, não tenham dúvidas, a retaliação seria imediata por parte dos criminosos. Até a juíza mataram dia desses e não virou nada. É bem provavél que ela não fosse bem quista pelos próprios juízes, afinal, não há punidos efetivamente.

    Nosso país é, hoje, um aglomerado de quadrilhas.

    Se um dia eu for deputado ou senador, não tenham dúvidas, eu vou articular para que isso aconteça, mas vamos apresentar um grupo.

    Eu, Leandro Chagas Demetrio Xadem, DECLARO PARA OS DEVIDOS FINS DE DIREITO, que sou A FAVOR DA PENA DE MORTE.

    Matou, no mínimo, tem-se a obrigação e morrer, salvo por vingaça por morte de alguém que se estima quando há falha do Estado. Pedófilos, Traficantes, Estupradore e Agentes Políticos Corruptos estarão sujeito à pena de morte. A morte será por injeção letal, e caso falhe em uma tentativa, repetira-se, diariamente, quantas vezes for necessário.

    Nada, nada me fará mudar de ideia, ainda que um de meus filhos seja condenado.

    Estou falando isso porque estou convicto que sou favor e como nossas discussões, por enquanto, não vão ter resultado prático, porque nenhum de nós será louco de propor a regulamentação da mesma sendo um simples civil nesse país que somos retaliados e condenados diariamente, sem o aval oficial da justiça, mas extraoficial, que esperemos que um ou mais parlamentar o faça um dia.

    Enfim: Sou a Favor da Legalização da Pena de Morte.

    Leandro Chagas Demetrio Xadem
    http://www.xadem.com

    Fuzilamento na China por Leite Contaminado
    http://www.youtube.com/watch?v=uJ2Us7–Jig

    Imagine se isso acontece no Brasil.

    Quantos morreram por conta dos desvios do Lupi? Ele nem condenado vai ser. Vai continuar mandando no PDT e vai continuar negociando com o governo. O dinheiro que esses fdp roubam faz falta na fila dos hospitais.

    Em Uberaba estavam vendendo leite com soda e outras coisas mais. Não aconteceu nada!

    Todo mundo fica bonzinho até ser com ele mesmo. Todo mundo é contra até alguem violentar a filha dele ou de alguem que conhece.

    Olhe o que fizeram com a Jussara. A cidade ficou chocada. Ela era linda, não era preta, nem probre e nem fedia. Estão morrendo muitas Jussaras todos os dias e não nos importamos. Não somos capazes nem de ir ao hemocentro doar um pouquinho do nossa sangue.

    Se um dia eu chegar ao poder, vou lutar com unhas e dentes para instituir a pena de morte. Covardiou, nos termos que coloquei acima, morreu mesmo.

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    • Mário Borges disse:07/12/11 15:04

      Xaden, você falou em injeção letal ? isto porque você não conhece o famoso “furadan”, só de abrir a lata o freguês desmaia.

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    • Dutra disse:21/12/11 8:32

      Sr. Xadem, por que o Sr. não luta pela vida ? Ao invés de lutar pela morte ? Creio que você poderia aproveitar melhor o seu tempo! Outra coisa: Quem disse que a vida termina após a morte ? Pense nisso meu amigo!

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      • Jobocas disse:25/12/11 9:51

        Senhor Dutra, o senhor é chegado em dar conselhos, deixe as pessoas errarem por si próprias, se for o caso. Guarde seus conselhos para quem os pedir, aliás o seu pensamento é baseado em religiosidade e a praga da religião é o instrumento ideal para se imbecilizar as pessoas.

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