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12/12/2011 6:39

O padre e a política

Desde quando iniciou a veiculação de notícias que davam conta da candidatura de um padre da nossa Diocese a uma vaga na Câmara Municipal de Uberlândia, dediquei-me, consciente e silenciosamente (como católico que sou e sistemático praticante da minha fé), a formar uma particular opinião àquele respeito. Hoje, finalmente, ouso apresentar ao público um desabafo. Na qualidade de cidadão brasileiro, é muito natural que um padre acompanhe a vida política da nossa nação e especialmente a do município onde reside e exerce a sua vida sacerdotal, inteirando-se de acontecimentos, exercendo o dever de votar e (claro) tirando proveito de tudo o que assiste durante as campanhas eleitorais, para que possa filtrar informações que venham a interessar o seu ministério sacerdotal, mas daí a tornar-se candidato a algum cargo político seria, no meu entender, uma absoluta incompatibilidade e que iria de encontro à sua sagrada missão de evangelizar, santificar o povo de Deus e governar a comunidade cristã. Francamente… Entendo que sacerdotes devam limitar-se a consagrar a sua vida àquele magistério e de forma a assumirem um estilo correspondente, manifestando e tornando eficaz a sua sagrada missão, enquanto abstendo-se de compromissos que possam desvirtuá-los de suas funções. E pelo que temos acompanhado pela imprensa nas últimas duas décadas, a política (especialmente em nosso país) faz surgir perigos (e armadilhas) relacionados à moral. Isto a um desencadeamento de paixões avassaladoras, misturadas ao ódio e à violência, pactos ou compromissos pouco ou nada nobres e o que, fatalmente, colocaria um padre (ou outro religioso sério e comprometido com a sua igreja) em uma constrangedora situação perante os seus fiéis. Por outro lado, acredito que um padre engajado na política (partidária, é claro) não teria tido, antes, uma necessária formação para a militância política e de forma a prepará-lo no sentido de como agir ao deparar-se com pessoas perspicazes e sujeitas a abusos e desvios comprometedores. Ora! A conduta de um padre (ou de outra pessoa que exerça o magistério em alguma igreja) implica ser servidor de Cristo em horário integral, um servidor da Boa Causa e pronto a oferecer a qualquer pessoa, na vida civil, verdadeira amizade sacerdotal, energia e luzes, sem olhar a qual partido pertença. Para reforçar este meu ponto de vista, vai ainda mais longe: segundo o Concílio Vaticano II, o homem é responsável pela construção de um mundo harmonioso e desenvolvido. Todavia no desempenho dessa tarefa – máxime em nossos dias –, a criatura humana é facilmente tentada a esquecer a sua dependência frente a Deus. A tentação é particularmente forte no setor político, onde, diante da grandeza das tarefas, as paixões são facilmente excitadas. Assumindo (voluntariamente) a renúncia à ação política partidária, o padre deve lembrar que nenhuma atividade humana basta a si mesma e que, por isso, os homens hão de procurar dirigir-se para Deus. Compete ao padre, portanto, proclamar, pelo testemunho da sua vida, que só Deus é o Absoluto, o absolutamente Necessário, de modo que, mesmo abstendo-se de algum cargo político, ele vive uma vida plena e fecunda, pois já foi eleito, por Deus, a trabalhar pelo seu povo.

Gustavo Hoffay
Agente Social/ e presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi – Uberlândia – MG

Comentários (3)

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  1. vicente guerra disse:12/12/11 19:20

    Parabens Sr. Gustavo. Você espressou , de maneira magistral , qual é a verdadeira função de um sacerdote.

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  2. LOUIRVAL BERGER FILHO disse:13/12/11 8:54

    Parabéns, Sr. Gustavo. Estou sem palavras para manifestar o quanto valiosa é sua opinião, ou melhor, nossa opinião de Cristãos Catolicos. Parabéns, mesmo!

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  3. Leitor do Correio de Uberlândia disse:17/12/11 18:58

    Não concordo! Acho que o seu artigo é iniciativa para impedir a candidatura do Padre Amauri que com certeza tem todas as chances de ser eleito vereador de Uberlândia e ainda tirar votos do Vilmar Resende e do Doca Mastroiano. Isso tudo são balelas! Conversa fiada! A câmara tem varios religiosos, inclusive pastor de igreja evangélica e ninguém nunca falou nada. Agora o senhor vem com ess?! Conta outra, essa não colou não!

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