Eu acredito. Só não entendo
O tema segurança/violência não tem saído destas colunas de opinião. Que bom que começamos a nos mexer. Alguma coisa deve estar errada. Os dados oficiais mostram que a situação só tem melhorado. De outro lado, nós, acuados e borrando de medo, e o jornalismo-abutre-verdade se lambuzando em barbaridades.
Sempre acreditei nos filósofos de esquerda que definiam violência como consequência única da pobreza e da má distribuição de renda. Por essa lógica, mais desenvolvimento humano, menor criminalidade. Se o Lula estava certo, e eu acredito nele, nunca antes neste país se distribuiu tanto dinheiro nem tanta gente subiu no elevador da pirâmide social.
Muito menos tivemos tanta gente na escola ou nas universidades. Informação, então, nem se fala. Nunca houve tanto investimento em segurança, com contratações, equipamentos, capacitação; falta o “pequeno” detalhe da remuneração dos policiais, mas também acredito no Aécio. Nunca o Brasil esteve tão rico, tão otimista, tão acreditado internacionalmente, até quase invejado; e acredito no brother Obama. Nunca se distribuiu tanta bolsa, tanto estímulo, tanta casa. Nunca houve tanto emprego, qualificação, oportunidades e até no ministro Lupi eu acreditava.
Mas, caramba. Se avançamos tanto nos determinantes da violência, como aceitar essa escalada absurda. Sempre haverá diferenças entre as pessoas (tomara!), instintos destrutivos, decepções (que pena!) e nem sempre o mundo será do jeito que queremos. Vivemos em comunidade e isso tem enormes vantagens, mas somos seres espinhudos. Há que se regrar o convívio.
Que se arrepiem alguns adolescentes de todas as idades, muitos ainda lutando contra a ditadura militar, mas precisamos de ordem, regras, leis. Precisamos de referências éticas e da responsabilização pelos atos que cometemos. Estamos criando uma sociedade única na qual o ranço da autoridade fardada impede que se exerça o poder regrador do Estado. É o cada um por si e o salve-se quem puder.
Uma nação alicerçada na impunidade e na falta de respeito e de referências positivas; será que dá certo? Os exemplos dessa bagunça estão nas salas de aula, nos ambientes de trabalho, nas relações entre pais e filhos ou entre o cidadão e o representante do poder público. Estão nas ruas, nos estádios de futebol, nas penitenciárias, no trânsito.
Num país em que crimes nem são investigados, inúmeros processos caducam, provas gritantes são desprezadas e há uma justiça para cada bolso, falar em pena de morte parece estranho. Nossas leis não são ruins; elas só precisam ser aplicadas. Trinta anos atrás das grades não é pouco, desde que eles sejam cumpridos! Não é só o peso da pena que amedronta ou inibe; muito mais a certeza de seu cumprimento.
O Poder Judiciário deve deixar de ser o porto seguro ao qual bandidos de todos os tipos recorrem para limpar suas fichas após punições ridículas. Sob a ameaça leviatânica de Hobbes, precisamos resgatar a dignidade da deusa Têmis. E que o Hamurabi, tão desejado, valha ao bandido, ao corrupto, a mim mesmo ou a um filho que cometa algum deslize. Com ou sem pena de morte, estamos realmente preparados e dispostos?
Thogo Lemos
Uberlândia (MG)
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Xadem disse:16/12/11 9:24
Thogo esses números são uma grande mentira. Não acredite neles.
Militares já me confidenciaram, mais de um militar, grupo deles, em OFF, que são “OBRIGADOS” a omitir ocorrências por n motivos, dentre eles, o cumprimento de metas de diminuição dos ínidices de criminalidade.
Não fosse a imprensa “sensacionalista” de Uberlândia (no que se refere a assassinatos), não saberíamos um pouco da realidade.
Parece ter nada a ver, mas ningúem ficou sabendo do romeiro que morreu indo para Romaria esse ano. A morte dele é certeza absoluta. Pelo menos de uma morte eu tenho certeza absoluta. Alguém noticiou? NINGÚEM! É pacto para não acabar com a “festa” regiligiosa.
É assim que funciona nosso mundo capitalista. A “coisa” está muito pior que se pode imaginar, em todos os sentidos.
A única coisa que eu tenho certeza hoje é que, quem não “se fudeu” ainda é porque ou tem sorte ou porque é amigo da “física”.
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Marcelo disse:19/12/11 11:27
Ora, ora, vá então ao Ministério Público e dê um ON na sua informação. É muito fácil vir a público e imputar o o crime de prevaricação a seres indeterminados. Ou será que essas “confidências” dos “militares” não passam de tentativa para desmoralizar os responsáveis pela segurança?
Lado outro, o que o atropelamento de um romeiro em rodovia federal teria a ver com os índices de morte na cidade (zona urbana)?
Por fim, o que o capitalismo tem a ver com a prevaricação dos seres indeterminados e com o suposto atropelamento?
Desse jeito fica fácil criticar e incitar revoltas.
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Comentários (2)