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1/01/2012 6:00

Entre horrores e propostas

As eleições municipais se aproximam e o ano de 2012 promete um pleito indecifrável, pois teremos lances, disputas e episódios inesperados e surpreendentes. Aliás, no Brasil, política tornou-se uma palavra com vários sinônimos e perfumes. Sendo assim, preparem-se para o teatro dos vampiros, para cenas, episódios e discursos simplesmente inimagináveis.

Neste contexto, será indispensável aos eleitores e cidadãos uma tradução qualificada dos discursos, propostas e intenções dos diversos atores políticos envolvidos. Porém, não nos iludamos, pois o marketing, a esperteza e a falta de escrúpulos vencerão a lucidez, a crítica e a desconfiança. O convencimento, o pragmatismo e a manipulação serão preponderantes, hegemônicos e impiedosos; afinal, a razão nunca moveu a política(gem).
Nesse sentido e se antecipando aos horrores que estão porvir, teremos que ser mais ativos atuantes e propositivos, pois o espaço público é de ninguém porque de todos. Infelizmente, na nossa incipiente democracia, o espaço é de ninguém, mas não de todos. Sendo assim, e a partir desta edição no CORREIO ousarei apresentar algumas análises e propostas para todos aqueles que, porventura, se apresentarão como candidato (a) ao Poder Executivo municipal.

Em primeiro lugar, tornou-se inconcebível e hedionda a relação estabelecida entre os poderes Executivo e Legislativo. Subserviência, cooptação, condescendência, fisiologismo, entre outras características, revelam a nefasta situação instalada, pois o Executivo dá as cartas e dita o ritmo por meio do seu pragmatismo autocrático. Os edis tornaram-se tão somente os grilos falantes, os ventríloquos a serviço do poder. O pior é que teremos mais grilos na “casa do povo”. Temos que denunciar e combater com rigor e contundência esta viciada promiscuidade instalada em nossas instituições políticas. Em 2012, a “casa do povo” custará aos cofres públicos R$ 28 milhões.

Outra questão refere-se à renovação daqueles que teriam a função de fiscalizar o Executivo. O filósofo Roberto Romano traduz bem a questão: “Enquanto eles (partidos políticos) forem feudos de dirigentes, não ocorre renovação dos quadros e a possibilidade de luta contra a corrupção, porque esses dirigentes já estão acostumados com esses caminhos tortuosos e não abrem a possibilidade para o ingresso de novas pessoas. Hoje, para ser candidato no Brasil, é necessário ter as bênçãos dos donos dos partidos que controlam os cofres, as alianças, os programas e as candidaturas. Se eles não forem democratizados, fazendo com que as bases tenham participação de fato, seja por meio de eleições primárias ou mecanismos mais amplos, vão existir esses arremedos de partido, que são, na verdade, propriedade privada de oligarcas.”

Enfim, independentemente do (a) próximo (a) prefeito (a), teremos que enquadrar nossos poderes instituídos, exercendo um efetivo controle social e exigindo-se dos mesmos os seus plenos exercícios conforme estabelecido constitucionalmente, garantindo assim o aperfeiçoamento progressivo de nossa jovem democracia. A política, entre nós, reduziu-se ao confronto mesquinho, rasteiro e estéril entre “situação” e “oposição”. Não existem mais os notáveis, a grandeza, a argumentação e os debates inteligentes e coerentes. Prevalece tão somente um teatro de péssimo roteiro, enredo e apresentação. Estejamos atentos!

Prof. Eduardo Macedo de Oliveira
Uberlândia (MG)

Comentários 1

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  1. Gustavo Hoffay disse:01/01/12 23:58

    Caro Prof. Eduardo,
    Parabéns pela sua matéria. Eu ousaria acrescentar o fato de que não poucos políticos, em nossa Câmara, ocupam-se demais com questões relativas a asfaltamento de ruas, tapar buracos, construção de meio-fios,pinturas de faixas nas ruas e instalação de placas de trânsito.Ora! Francamente…Uberlandia precisa (por exemplo)que nossos edis discutam o seu progresso, o seu desenvolvimento sustentável, a saúde nas (e das) UAIS,educação no (caótico) trânsito e muito o que diz respeito à segurança pública e esteja dentro da sua alçada.Homenagens são muito justas, mas penso estar havendo excessos.Se não, pedimos o mínimo: que os novos legisladores estejam presentes às sessões naquela Casa e trabalhem sim, de maneira produtiva.

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