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13/01/2012 14:14

História política de um líder

O político Rondon Pacheco foi deputado federal eleito cinco vezes e líder da maior e mais culta bancada parlamentar que o Brasil conheceu na República Velha. Atuou no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, antes da transferência da capital federal para Brasília. Foi ministro da Casa Civil no Governo do presidente Costa e Silva e presidente da Arena. Foi governador de Minas indicado pelo regime militar e eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa. Foi também embaixador extraordinário e observador do Brasil nas Nações Unidas.
Como deputado federal, Rondon comandou como líder, a “Banda de Música” como era conhecida a representação da UDN na Câmara Federal. Aquela bancada era formada por políticos de prestígio como: Carlos Lacerda (depois governador do Rio), Milton Campos (depois governador de Minas), Afonso Arinos de Mello Franco (depois senador), Pedro Aleixo (depois vice-presidente da República), José Bonifácio Andrada (descendente de José Bonifácio, patriarca da Independência do Brasil), entre outros e reunia 96 deputados, todos afinados na oposição ao governo do presidente Juscelino Kubitschek. Não havia mensalão nem emendas parlamentares. Aquele time nunca negou ao Presidente da República a aprovação de projetos de interesse nacional, inclusive os recursos para construir estradas, instalar a indústria automobilística, fortalecer a siderurgia nacional e erguer Brasília.
Com o Movimento Militar de 1964 assumiu a Presidência o Marechal Castelo Branco. A Constituição de 1945, em vigor, foi revogada e o presidente passou a governar por Atos Institucionais. Em 1967, Castelo Branco, com apoio da Escola Superior de Guerra, preparou uma Constituição para deixar como elemento de transição para o próximo presidente devolver o poder aos civis. O general Artur da Costa e Silva, sucessor de Castelo Branco, convidou o deputado Rondon Pacheco para liderar o processo político-parlamentar na transição. A Constituição de 1967 foi promulgada pela Mesa do Congresso sem assinatura do MDB que decidiu marcar posição na Oposição. Rondon aceitou o convite de Costa e Silva e assumir a Casa Civil. Foi o elo entre militares e civis. Por causa de um discurso medíocre que o deputado Márcio Moreira Alves (MDB) pronunciou na Câmara, no qual desafiou os militares, a ala radical do Governo decidiu endurecer e pediu a cassação do mandato do deputado. A Câmara preparou-se para negar. Os militares se irritaram e decidiram fechar o Congresso. Foi aí que Costa e Silva, pressionado por militares radicais, resolveu reagir. O ministro da Justiça, Gama e Silva, preparou um Ato Institucional que fechava o Congresso por tempo indeterminado, demitia todos os governadores e prefeitos e instituía uma ditadura no modelo da que estava em vigor na Argentina. Quando Costa e Silva pediu a Rondon a opinião dele sobre o Ato sugerido por Gama, o representante de Minas no Governo disse: ”Esse ato e draconiano, pior do que o Código de Constantino”. Costa e Silva acatou a observação de Rondon, suspendeu a reunião e pediu ao ministro Gama e Silva que preparasse “algo mais brando”. O novo Ato – o AI-5 – manteve os mandatos dos governadores e dos prefeitos, mas recomendou o fechamento do Congresso por tempo indeterminado. Rondon opinou contra o “tempo indeterminado”, mas foi voto vencido no Conselho de Segurança Nacional. Costa e Silva, diante das criticas da sociedade civil organizada contra a Constituição de 67, preparou uma Emenda Constitucional democrática que pretendia outorgar em 1969, mas foi impedido de fazê-lo por um AVC que o imobilizou. Uma Junta Militar assumiu o poder e decidiu enfrentar a esquerda armada que explodiu uma bomba no Aeroporto de Recife para matar o presidente da República. Depois a esquerda matou um soldado na porta do Quartel do II Exército em São Paulo e se organizou em grupos de guerrilha para expulsar os militares do poder. O AI-5 foi o mais despótico instrumentos de repressão que os brasileiros conheceram. A esquerda utópica decidiu radicalizar e sequestrou os embaixadores da Alemanha, da Suíça e dos Estados Unidos. O governo aceitou libertar presos políticos em troca da libertação dos diplomatas estrangeiros, mas endureceu. Combateu militarmente os guerrilheiros no Araguaia, nos centros urbanos do País e suspendeu o projeto de devolver o Governo aos civis. Resultado: os militares permaneceram no poder por mais de 20 anos graças à miopia da esquerda festiva.
Em 1969, ainda como ministro da Casa Civil da Presidência da República, Rondon pediu ao presidente Costa e Silva que assinasse o decreto que criou a Universidade de Uberlândia – UnU – e foi atendido. Para comandar a instituição de ensino superior indicou o advogado Juarez Altafin (ainda vivo, mora em Uberlândia). Foi Altafin o primeiro reitor da UnU. Trabalhou ele para unificar várias faculdades particulares, sem ônus, na Universidade. Foi a UnU o embrião do que hoje é a UFU. Quando governador, Rondon Pacheco, que instalara em Uberlândia as Faculdades Estaduais de Odontologia, Veterinária (em Tupaciguara), Educação Física e ajudou a de Medicina, mandou o Estado doar todas gratuitamente para consolidar a UnU.
Quando assumiu o governo de Minas, por indicação do presidente Médici, o uberlandense Rondon Pacheco declarou: “Minas, até hoje exportou minérios e mineiros; de hoje em diante trabalharei para industrializar este Estado”. Negociou com os italianos e instalou a Fiat em Betim e a divisão de caminhões Iveco (também da Fiat) em Sete Lagoas; mantou a divisão de mecânica pesada do Grupo alemão Krupp e uma fábrica de Helicópteros no Sul de Minas. Depois que deixou o Governo, Rondon Pacheco assumiu a presidência da Usiminas e, em cinco anos, consolidou o acordo de tecnologia com a japonesa Nippon Steel para transformar a siderúrgica mineira na maior produtora de aços planos da América Latina. Ainda no Governo, Rondon firmou um acordo com o Grupo Moreira Sales e instalou em Araxá a CBMM (Companhia Mineira de Metal e Metalurgia) – a maior mineradora de nióbio do mundo. Desapropriou a obsoleta Companhia Elétrica Prada de Uberlândia e trouxe para cá a Cemig; apoiou a instalação do Distrito Industrial, ajudou a viabilizar várias indústrias em Uberlândia e, especialmente, a Granja Rezende e a primeira esmagadora de soja da cidade, a Fugiwara-Hisato, que hoje é a ABC Algar Óleo de Soja. Construiu a Usina Hidrelétrica de São Simão (a maior da Cemig) e, com incentivos fiscais instalou em Uberlândia a maior e mais moderna fábrica de cigarros da Souza Cruz; instalou também a primeira indústria de fiação de algodão para apoiar a montagem de um Polo Têxtil em Uberlândia: a japonesa DAIWA. Organizou em São Gotardo a primeira experiência de produção agrícola nos cerrados brasileiros e de lá exportou a tecnologia desenvolvida pela Epamig e pela Embrapa para todo o Brasil Central. Iniciou a plantação de café nos cerrados. Começou por Araguari, Monte Carmelo, Patrocínio e transformou esta região na área de maior produção de cafés finos do Brasil. Para isto fez um acordo com instituições financeiras internacionais e bancos do Japão e, sem dinheiro do Governo, vendeu terras de cerrados na maior reforma agrária capitalista já feita no Brasil. Preço do hectare de cerrado: US$ 20 dólares. A produção agrícola nos campos de cerrados improdutivos serviu de modelo para iniciar e expandir o agronegócio no Brasil Central. Hoje, Minas é o maior produtor de café do País e o Brasil, o maior produtor de cafés finos do mundo.
Rondon asfaltou a estrada que liga Uberlândia a Araxá e encurtou o caminho desta cidade a Belo Horizonte. Tudo isso em quatro anos porque o mandato dele, de cinco anos, foi reduzido pelo Governo do general Geisel que decidiu unificar os mandatos dos governadores.
Rondon, quando governador, construiu o edifício do Fórum que até hoje serve à Justiça local. Não é preciso mencionar mais nada. Esta é parte de história do político Rondon Pacheco que os mineiros, principalmente os uberlandenses independentes, precisam conhecer sem paixão politiqueira e sem facciosismo. Gostem ou não alguns políticos radicais, Rondon Pacheco é um dos homens da História do Brasil. É possível opor-se a ele, mas ignorá-lo e tentar desconstruir-lhe o trabalho na política em favor da democracia, é má fé ou ignorância.

Ivan Santos
Jornalista

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  • Capitão José Fernandes Pires disse:13/1/2012 15:18:15

    Rondon Pacheco é um ícone da historia do Brasil, de Minas Gerais e, com muito orgulho, da nossa querida Uberlândia. Um homem com a visão além dos limites do tempo e que empenhou sua inteligência, sua probidade e invulgar capacidade de trabalho, para honradamente transformar Minas Gerais, de Estado Agrícola, em Estado Industrial. Não reconhecer seus méritos é típico do petismo, a pior excrescência da história da política nacional. Parabéns ao jornalista Ivan Santos pelas informações.

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  • mario lucio costa disse:13/1/2012 18:34:09

    Aliado de ditadores, que subjugavam, torturavam e matavam civis que discordavam deles…..tem realmente alguns méritos, mas não é “DEUS”! Se tinha tanto respeito dos militares, sem dúvida é porque era seu aliado e concordava com seus feitos. Assim como os do “PT”, são meio deuses e meio diabos, ninguém é 100% correto….e viva à DITADURA!!!!

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  • Gustavo Hoffay França Campos disse:14/1/2012 00:39:56

    Rondon sonhou com ideais e tinha energia suficiente para harmonizar os seus sonhos com a realidade, conciliar os seus propósitos com ações que beneficiassem Minas e o Brasil. Rondon sonhou acordado e deu alento aos seus sonhos, acreditou neles, acariciou-os e esforçou-se por efetiva-los. Como é bom ter Rondon, estar e conversar com Rondon!!!!!

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  • joao roberto spini machado disse:15/1/2012 09:09:39

    Rondon,foi um bom Politico Mineiro,no sentido expresso da palavra.Amigo de quem era amigo,desafeto de quem lhe era desafeto.Por isso quem perdeu alguma coisa quando ele era força acentuada do Regime Forte,não tem de que se queixar.Sempre jogou limpo,pelo que conheço,falando e encarando outras pessoas,frente a frente.E não podemos nos esquecer,que foi o melhor Governador Mineiro de todos os tempos.Realizador,construi a Região Metropolitana de Belo Horizonte,no começo da decada de 1970,quando a grande Betim de hoje,não era nada,pequena corrutela,e Contagem,estava sob o malefico dominio do Prefeitão Niltão,o seu oposto,como Homem,Amigo e Figura Ética.E como!

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