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14/01/2012 7:12

Legado do ano que começa

“De tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que precisamos continuar e a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo, da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro”(Fernando Pessoa).

Certos anos nunca terminam: 1968 foi um deles, e este escriba era um adolescente de 17 anos à época daquela transformação social empreendida pelos babyboomers com o Woodstock, e a tríade sexo, drogas e rock n’roll. 2001, com o ataque e a destruição das Torres Gêmeas, foi outro ícone. E 2011, 10 anos depois, com a crise econômica do mundo desenvolvido, somado à Primavera Árabe, nos transmite a mesma sensação de que um novo tempo de mudanças está apenas começando.

Uma era de oportunidades e de transformações que nos colocam desafios como nação, que enumero: primeiro, realizar uma revolução educacional; segundo, uma revolução sanitária em paralelo com a revolução sociológica que, a partir de reformas estruturais, desaguarão na implantação da igualdade social (as reformas tributária, política e fiscal), pois não queremos repetir a Grécia de 2011.

Em terceiro, seria desejável a construção de um marco de gestão ambiental no país, como benchmarking para o mundo, aproveitando nossas vantagens comparativas inatas. Sobre esse tema é relevante lembrar a Rio +20, que se realizará em 2012 com temas caros ao mundo, como as medidas necessárias para evitar maiores desastres climáticos, com o aumento da temperatura da Terra.

Vale lembrar que a construção da usina de Belo Monte vai em sentido contrário a esse paradigma, haja vista seu planejamento ter acontecido antes da agudização dos eventos do clima. E não será agora, depois de este governo ter jogado goela abaixo da sociedade essa obra, cujos impactos sociais e ambientais nem sequer são conhecidos em sua totalidade, que grupos econômicos ligados à mídia impressa e eletrônica queiram calar o debate, que deveria ter acontecido democraticamente antes de se tomar a decisão da construção.

Infelizmente, a maior parte da inteligência nacional não foi ouvida para proporcionar inovações e opções melhores que essa solução do século passado e com custos menores. Há que se lutar pela consolidação da reforma do Judiciário, não permitindo retrocessos no controle externo desse poder pela Procuradoria do CNJ.

É preciso aplicar a Lei Ficha Limpa. Se quisermos, poderemos fazer em cinco anos a principal revolução necessária ao país, a educacional, e para isso precisaremos de menos recursos e energia do que estamos devotando à Fifa para a realização da Copa de 2014, vide os acordos ora realizados no Congresso Nacional para a votação de leis específicas, muitas delas deletérias ao arcabouço institucional e jurídico da nação, com o favorecimento de acionistas de cervejarias através de venda de álcool em estádios.

Tudo isso para uma entidade transnacional amoral e metida em escândalos de corrupção?
A revolução sanitária é simples de ser feita e, com ela, deixaríamos de gastar vários bilhões de dólares por ano com o SUS. Basta sanearmos as cidades brasileiras, construindo estações de tratamento de água e esgoto, além de aterros sanitários. Essas metas estratégicas farão girar a economia e os resultados ficarão para sempre como marcos favoráveis às atuais e futuras gerações de brasileiros, em vez dos elefantes brancos em que se converterão vários estádios de futebol agora construídos.

José Carlos Nunes Barreto
Professor doutor
debatef@debatef.com

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