Chumbo, enxofre e vida
Hoje o maior objetivo de todo empreendimento é provar ser amigável com o meio ambiente. Provar que uma atividade é sustentável faz com que o “marketing” de determinado produto seja visto com bons olhos por consumidores atentos. Essa atenção deve se voltar para todos os produtos que consumimos em nosso dia a dia, principalmente os imprescindíveis ao funcionamento do mundo como o temos hoje.
Um grupo desses produtos são os combustíveis fósseis que movimentam aviões, veículos de passeio e transporte pesado em nosso país. Dois produtos que chamam a atenção no Brasil pelo tratamento diferenciado em relação ao resto do mundo são a gasolina e o óleo diesel, combustíveis que movimentam grande parte da nossa frota automotora. A nossa gasolina automotora aditivada com álcool é mais limpa e segura, enquanto a gasolina aeronáutica utiliza o chumbo, um componente altamente poluente que impregna turbinas e motores, exigindo manutenções mais frequentes nas aeronaves. O chumbo pode contaminar, de forma irreversível, todos os organismos vivos, dentre os quais – é claro –, o ser humano.
Os veículos pesados usam o diesel, um combustível que apresenta um componente poluidor bastante nocivo ao meio ambiente, que é o enxofre, resultado da combustão do diesel liberado com os gases de escape. O enxofre, quando liberado, combina com a umidade da água e o oxigênio presentes na atmosfera para formar o ácido sulfúrico, retornando a terra sobre a forma de chuva ácida, elemento altamente corrosivo que produz enormes danos a agricultura e construções.
Passagens bíblicas relatam o apocalipse como o fim dos tempos com muito sofrimento, contaminação por chumbo e chuvas de enxofre. Como podemos observar, se negligenciarmos nosso planeta, dentro de muito pouco tempo estaremos muito próximos disso. Basta observar as dramáticas transformações climáticas que estamos observando em espaço tão curto de tempo. Chuvas que fazem transbordar rios e deslizar montanhas, que a cada ano ficam cada vez mais pesadas e com maior volume de água.
Urge, portanto, que modifiquemos o nosso sistema de transporte pesado, todo baseado em caminhões movidos a óleo diesel, para um sistema ferroviário eletrificado mais adaptado ao transporte de grandes cargas e com menor impacto sobre o meio ambiente. No que diz respeito ao sistema de transporte, o tráfego de grandes caminhões, cada vez maiores, mais velozes e recheados de tecnologia, evolui e se moderniza a uma velocidade muito maior que nossas rodovias; das quais muitas não estão preparadas para veículos de tais dimensões.
Os acidentes com esses veículos são cada vez mais violentos e mais destruidores, ocasionando cada vez mais mortes, fazendo-nos pensar que algo precisa ser feito na legislação para que tais veículos tenham o tamanho e a carga limitados e que não se permita que esses veículos de transporte de tamanho ilimitado possam continuar trafegando livremente pelas estradas de nosso país.
Muitas dessas estradas ainda têm pista simples, em que o vaivém de caminhões enormes se transforma em uma roleta-russa na qual um acidente de grandes proporções está sempre à espreita. Basta um motorista cansado após horas e horas na boleia em um infindável percurso de mais de 12 horas diárias de trabalho para fazer com que mais uma tragédia apareça nos telejornais diários. É simplesmente mais uma notícia; vira tragédia quando acontece com a gente ou com alguém muito próximo.
Prof. José R. Camacho
UFU – Eng. Elétrica – jrcamacho@ufu.br
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