Ingresso na UFU
Não gosto de escrever sobre temas polêmicos, mas não me contive. E sinto-me à vontade para escrever sobre o assunto, pois participei da vida acadêmica da UFU como professora, coordenadora de curso, aluna de doutorado, membro de conselhos superiores etc. e tenho paixão pela universidade. Atuei vários anos na elaboração e correção de questões de vestibular. Como esposa do José de Paulo, presidente da Comissão Permanente do Vestibular durante 13 anos, vivenciei cada etapa do processo. E agora, em 2012, como mãe de vestibulando de 17 anos, acompanhei o primeiro processo seletivo na UFU com ingresso por meio do Sisu, utilizando a nota do Enem.
Analisei vários aspectos numéricos, e muitos são preocupantes. Por exemplo: o número de candidatos inscritos na UFU saltou de cerca de 11 mil no último vestibular para quase 50 mil, com candidatos das mais diversas regiões do país. Está muito mais difícil para um bom e mesmo ótimo aluno de escolas de Uberlândia ingressar na UFU. Como o aluno podia ir mudando sua inscrição de acordo com as notas de corte – que foram bastante altas –, muitos foram aprovados em cursos que não eram os desejados, e sim nos que conseguiriam aprovação. Isso poderá causar mais desistências e desajustes nos cursos e mais vagas ociosas.
Só para se ter uma ideia do problema, ao lado dessas 1.789 vagas oferecidas para ingresso em 75 cursos da UFU, estão sendo ofertadas 1.161 vagas para transferência externa e para portador de diploma de curso superior, oriundas de desistências, abandono de curso etc. No campus Santa Mônica, só no curso de Matemática, são 171 vagas ociosas; no de Física, 68; no de Ciências Econômicas, 50. As chances de as vagas ser preenchidas são pequenas, e isso é muito grave, vagas sobrando em universidade paga com o dinheiro do povo.
Outro fato preocupante é que as turmas de ingressantes são preenchidas por meio do Paaes, destinado aos alunos de escolas públicas e pelo processo seletivo (vestibular). Com isso, vem ocorrendo, ao longo dos anos, uma distorção na relação candidato vaga. Por exemplo, a turma de Medicina de 2012/1, será formada por 20 alunos que ingressaram numa relação de 100,2 candidatos/vaga (vestibular) e por 20 alunos que ingressaram numa relação de 7,8 candidatos/vaga (Paaes). No Direito noturno, a proporção é de 145,3 para 4,65; na Administração noturno, é de 114,15 para 4,65; na Engenharia Civil, de 92,5 para 5,95. Não há projeto pedagógico eficiente capaz de resistir a tal disparidade.
Por outro lado, dos 78 cursos que reservam vagas para o Paaes, 18 já começarão o semestre com vagas ociosas, pois o número de candidatos do Paaes foi menor que o de vagas. Outros 11 cursos têm um candidato por vaga ou menos de dois. Ou seja, o certo é investir na melhoria do ensino médio público e não reservar vagas que não serão preenchidas. É necessário que alunos da rede pública e privada possam competir com igualdade.
Quanto ao meu filho vestibulando, lógico que ficou entre os 2.940 candidatos reprovados no curso de Direito noturno e não entre os 20 aprovados (mas teria chances em um vestibular “normal”). Conversando com ele, disse que achei engraçado tanta falta de sorte: terminar o ensino médio logo quando a UFU está implantando uma nova forma de seleção; participar “de cara” do vestibular mais concorrido da história da UFU e, pior, escolher o curso que foi o mais procurado de todos. Muito sério, ele respondeu que não achou graça nenhuma.
Ana Maria Coelho Carvalho
UBERLÂNDIA – anacoelhocarvalho@terra.com.br
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Izolina - Aposentada disse:28/01/12 9:17
Parabéns Sra. Ana Maria Coelho Carvalho, eu assino embaixo no seu texto. E digo mais: SISU é “Ditadura Incompetente do Governo PT” a fim de angariar votos para politicos do partido nas eleições de 2012, especialmente para o ex ministro da Educação Haddad. Quando o governo é incompetente o povo é quem sofre. Espero que outros també façam como a Sra. Ana Maria, manifestem publicamente o seu ponto de vista, opiniões comentários a respeito dessa vergonha chamada SISU ENEM e Ingresso na UFU. Abraço. Muito Obrigado.
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Diógenes Pereira da Silva disse:28/01/12 10:41
Ilustre Senhora Ana Maria, bom dia!!!!!
Considerando o vasto conhecimento que a Senhora tem, juntamente com o esposo;
Considerando que o seu esposo está lá dentro;
Considerando as análises negativistas expostas no seu texto;
Considerando a propriedade com que expos as assertivas;
Por que não sugere mudanças…… Afinal, se estas falhas estão além das expectativas dos alunos e não podem fazer nada. O mais justo e compreensivo é que alguém que detenha conhecimento das causas como a senhora e esposo comuniquem ao órgão competente para sanar e orientar, quanto às falhas que acredito são gravíssimas. -
Lucas Anon disse:28/01/12 17:34
Eu sugiro que a UFU permita (se possível) que todos os cursos tenham ações afirmativas de alunos que residem em Uberlândia, assim eles teriam uma vantagem considerável.
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Paulistano disse:01/02/12 13:43
Sugestão rídicula! E se fosse feito assim, logo essa “vantagem” seria derrubada pela Justiça tal qual foi no Rio de Janeiro. As escolas de Uberlãndia precisam é repensar seus métodos de ensino, e os alunos certificarem-se de que estão estudando corretamente, os que estudam.
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Marcelo disse:29/01/12 23:03
Sra. Ana Maria, infelizmente seu texto será solenemente ignorado pelas autoridades da UFU, pela imprensa e pelos setores “produtivos” da cidade. A forma como o “puxa-saquismo” tem sido exercitado, nos dias atuais, impede que suas lúcidas contestações sejam debatidas pelos responsáveis e interessados no sistema de ingresso da ufu e demais universidades. Não tenho muita idade, mas não é difícil perceber como o torpor e uma espécie de hipnose coletiva tomou conta da sociedade brasileira. As pessoas ou têm receio de exercitar o pensamento ou simplesmente aderem a esse projeto de poder do PT com o objetivo de se beneficiarem com “boquinhas”. Na linguagem politicamente correta das “comunidades”, está “tudo dominado”. A convicção desses administradores políticos que estão no podre não é proveniente da racionalidade e da constatação fática, mas se baseia em crenças ideológicas perigosas e desastrosas. Infelizmente, nada mudará e a tendência é só piorar.
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Marcelo disse:29/01/12 23:05
… que estão no poder…
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Regina de Fátima disse:31/01/12 20:57
Prezada senhora,
Acho que o PAAES é um sistema que contempla os mais desamparados financeiramente ( aqueles que não tem condições econômicas de custear uma escola particular, cursinhos, etc, mas que tem muita vontade de vencer na vida também.
Mas concordo que o SISU provoca uma desordem, pois o vestibulando passa a fazer um curso o qual não escolheu, mas é aquele em que a sua nota de corte pode lhe dar aprovação, e depois pode acabar abandonando tal curso…
Com certeza a UFU poderia rever a questão e voltar a fazer o seu vestibular.
Boa sorte para seu filho!
Um abraço! -
Pastor Abobrinha disse:01/02/12 13:35
Também não sou a favor do ENEM, mas sou a favor de cotas sociais enquanto paliativas e não definitivas, alías não digo ser a favor de COTA, mas de BÔNUS, como faz universidades paulistas, isso leva o candidato da escola pública, muito deficiente quanto ao conteúdo do vestibular, estar em uma condição de relativa “equidade” com os demais na competição, mas não aprova por si só alunos de escola pública e garante boa porcentagem ao candidato que se esforça.
Quanto ao ENEM ou Vestibular, prefiro o vestibular, mas não regionalista como é o da UFU. Com esse tipo de vestibular, a UFU fez orbitar ao seu redor as escolas particulares (públicas talvez) de Uberlândia (quem é uberlandense faz é UFU). As maiorais daqui nunca tiveram uma aprovação costumeira em outras universidades como Unicamp, USP, UFRJ (com o vestibular tradicional, óbvio, e quando tiveram, foi com aquele aluno muito inteligente, exceção portanto)nos cursos mais difíceis de ser aprovado, mesmo com candidatos prestando essas provas rotineiramente. O que quero dizer é: esse regionalismo fez das escolas, não educadoras, mas técnicas em vestibular UFU, ou seja, a competição ficou, por muitos tempos, restrita a nossa região o que é péssimo pois a competição é que melhora a qualidade dos serviços, no caso a educação e por conseguinte a qualidade dos ingressantes na UFU. -
Leila de Fátima Mendes disse:06/02/12 15:42
Concordo com essa mãe literalmente,eu como mãe de vestibulando para Engenharia Quimica senti que a injustiça
prevaleçe sim, meu filho também teria toda chance senão SISU com a pouca vergonha das notas da redação e com tantas cotas.
Cuide-se UFU pra não deixar cair o nível do ensino…. -
Fernando Bueno disse:13/02/12 11:15
Manifesto aqui o meu respeito à autora. Mas, vou discordar. Se o processo seletivo foi mais concorrido isso, em princípios, significa que a qualidade dos ingressantes será melhor. Se isso obriga os estudantes a estudar mais, só temos que comemorar.
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Alaor disse:21/02/12 3:07
Impressionante como o espirito coronelista que conspurca até o mais humilde uberlandense faz ele pensar merecer mais que os outros. Os críticos, inclusive a autora desse texto, poderiam finalmente perceber que a universidade deve se pautar pela meritocracia. Torço muito para que muitos e muitos aprovados no sisu se matriculem e cursem a UFU integramente, assim, com um corpo discente mais qualificado e interessado, teremos a chance de ombrear com as melhores universidades do país.
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