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1/02/2012 7:10

Férias! Férias!…

Estão chegando ao final. Sem assunto de imediata gravidade, resolvo escrever sobre este que é de maior gravidade: o que são as férias no mundo atual. Eu vou falar – ou escrever – com autoridade, porque não tive (ou gozei…) férias até agora. É em começo de ano que estudo a programação que pretendo seguir. Uma besteira, eu sei, porque as coisas depois nunca vão seguir o exato e pensamento. Vai daí eu estar aqui pensando no que perdi e os outros ganharam com a mágica das férias. Primeiro e simples: não interessam os resultados absolutos das férias. Adão e Eva viviam no paraíso em férias que poderiam ser eternas. Deu no que deu: pecado original, expulsão do céu, Caim e Abel… e o resto que todos conhecemos e vivemos. Houve um tempo triste na divisão da sociedade humana: ricos tinham de tudo, e férias onde e como queriam. Pobres não tinham férias por falta das leis trabalhista… e da grana. Agora, os governos se preocupam com a massa social, existem políticos e eleições, é necessário que tenham o prazer exclusivo dos ricos: férias. Politicamente a ideia é sábia, bem ao gosto dos políticos: tem muito mais eleitores na pobreza que na riqueza. Vem daí o novo e dominante pensamento dos pobres: o meu governo é meu deus, tenho um 13º salário e férias! Assim o ano vai passando, todos pensando como, onde e o que fazer com este presente. É claro, tem uns que sempre estão na draga, pagando dívidas, prestações ou sonhos – e não gozarão suas férias. Mas, sem dúvida alguma, todos os meios de comunicação e análise social ocupam este tempo e termo mágico: as férias. Agora que elas terminam, eu venho de camarote (e de inveja!) avaliar o que, como e onde aconteceram as férias. Fico impressionado com o mapa que vejo direto, dizendo-me: aconteceu de tudo, pai João! Do bom e do ruim também! Veja, o compadre Aberlindo foi com a família para o mar do Espírito Santo, choveu todos os dias, não deu praia, mas deu um namoro dum garotão com a mulher, terminado em cacete e delegacia! O Fefedo ia pra Curitiba, o ônibus quebrou, roubaram-lhe a carteira, passou a pão com manteiga e leite quente. O Luciano foi pra Santos, a praia só cabia gente em pé, boné na cabeça e raiva nos preços que pagava. No Nordeste, a grande esperança e a decepção: os verdadeiros nordestinos tinham imigrado, nos bares e praias se encontravam apenas os sulistas e capivarois aqui de Minas, Goiás e Mato Grosso. É claro, havia gente rica no Caribe, nos USA, nos cruzeiros de navio em costas da Europa (e cuidado, tem um que foi a pique!). Pois é, meu amigo, as férias vão terminando, a turma retorna com a grandeza brasileira: vem me contar só o que de bom e bonito viram e aconteceram. Isto vale muito, já tem nego esperando o próximo janeiro, férias são contadas pelas histórias alegres e felizes. De menos um tal Belizário, cuja mulher ficou pra trás, embengada por um garotão de ski aquático. Afinal, são férias a contar pelo ano inteiro. Viva nós!

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)

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