Abusos obtusos
Permitam-me algumas observações sobre o editorial de autoria do jornalista Ivan Santos e publicado na edição do dia 5 próximo passado. Note-se que, no referido texto, aquele jornalista afirma, com propriedade de conhecimento, a indiferença da população em relação ao descarado desrespeito originado de vergonhosas e inescrupulosas condutas de alguns dos nossos governantes e as quais, cotidianamente, repito: cotidianamente, chegam ao conhecimento do povo graças à constante vigilância da nossa imprensa.
É sobre o fato de que existe a tal (repugnante) indiferença, que se fundamenta a existência de uma espécie de hierarquia em um grupo de mafiosos e formado por pessoas sempre muito falantes e simpáticas, ocupando cargos-chave na hierarquia governamental, enquanto gozando de todos os privilégios a que têm direito e mesmo alguns daqueles não possuindo um mínimo de conhecimento ou nem sequer vocação para o cargo.
Nós, pastoreados por obtusos abusos, a tudo assistimos como se já estivéssemos comodamente ambientados a uma babilônica promiscuidade oficial em nossa pátria amada (salve, salve!).
Amanhecemos, ultimamente, na expectativa de que novos estrambóticos e acachapantes acontecimentos vazem por debaixo de tapetões planaltinos e escorram pelo ralo da repugnância para, depois e docilmente, subordinarmo-nos a eles e ainda fazermos piadas dos mesmos enquanto rindo da nossa própria ignorância.
E o pior é que existem pessoas naquele reino muito bem remuneradas pelos impostos que pagamos fielmente, absolutamente convencidas de que, leiga, uma considerável fatia da nossa população pode ser facilmente manipulada e disposta a interpretar os mandos e desmandos do governo de uma maneira quase que sagrada e sem limitações.
A nossa Constituição, mesmo considerada uma das volumosas do planeta, não oferece definição de “cidadão otário”, pois essa não era (ainda), à época da sua redação, uma perfeita definição de muitos daqueles que compõem a grande massa de trabalhadores pindoramas e sob a ótica míope dos nossos dirigentes.
Hoje continuamos contentando-nos com o Carnaval, feriados prolongados em praias entulhadas de lixo com farofa e em adquirir bens de consumo para a nossa satisfação imediata e para darmos satisfação aos nossos vizinhos de “olhos gordos”.
Qualidade de vida, para muitos, resume-se a um carro zero-quilômetro na garagem, aparelhos eletroeletrônicos de última geração e programas televisivos que exploram a vida alheia. Enquanto isso, em Brasília…
Ora! Deixar-se seduzir pelos prazeres imediatos oferecidos pelo governo, inebriando-se com uma passageira sensação de bem-estar e furtando-se às exigências da sua própria vida pessoal e familiar, são sintomas característicos de quem está demasiadamente influenciado pelo poder de alguma droga e o que, no atual quadro político tupiniquim, não chega a ser muito diferente.
Gustavo Hoffay
Uberlândia (MG)
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Bruno disse:03/02/12 7:20
Excelente colocação!
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