A melhor idade?
Existem muitas frases interessantes e bem-humoradas sobre a meia-idade, como: “você sabe que está chegando à meia- idade quando tudo dói ou o que não dói não funciona”; “meia idade é quando sabemos todas as respostas e ninguém nos pergunta nada”; “os anos começam a aparecer na cintura e a cintura começa a desaparecer”; “você tem vontade, mas não se lembra de quê”; “primeiro começa a esquecer dos nomes, depois dos rostos, depois de fechar o zíper”; “meia-idade é quando você tem vontade de fazer exercício físico e dorme mais, esperando a vontade passar (o Zé, meu marido, faz isso). As minhas preferidas são: “podes viver sem sexo, mas não sem óculos” e a frase daquela garotinha que tentava explicar o que são os avós: “quase todos são velhinhos, usam óculos e já vi alguns tirando os dentes e as gengivas”.
Realmente, é uma fase na qual os óculos são vitais (eu, sem óculos, nem escuto). E só quem usa sabe como é. Sem eles a gente não é nada. O pior é que os óculos sempre desaparecem, são esquecidos nos lugares mais estranhos, são pisoteados, amassados, carro passa por cima. Mas ruim mesmo é quando você troca os seus óculos com o de outra pessoa. Certa vez, fui dar uma voltinha no quarteirão com minha mãe, já velha, gorduchinha e que usava óculos de grau com aro marrom. Peguei os óculos em cima da mesa, ela colocou, segurou apertado no meu braço e lá fomos. No meio do quarteirão, quando foi subir o degrauzinho do passeio, tropeçou e foi caindo devagar. Mas caiu direitinho, sentada. Ficamos rindo, ela amoleceu e não conseguia se levantar. Voltamos depois de um bom tempo e ela sentou-se na varanda. Apareceu a minha cunhada, desesperada, procurando os óculos dela, que estavam em cima da mesa e que desapareceram. Perguntei como eles eram. Ela olhou para o rosto da minha mãe e disse: “uai, iguaizinhos a esses, de aro marrom”. Resultado: os óculos não eram os da minha mãe e ela caiu porque não conseguiu enxergar a altura do passeio, culpa minha.
As dentaduras também são problemáticas (já vi dentadura caindo quando a pessoa riu). Tenho até um tio que perdeu a dentadura no mar. Quando a onda veio, bem forte, ele, que não tinha costume com mar bravio, não sabia se segurava o calção ou firmava a dentadura. Não conseguiu fazer nem uma coisa nem outra. Saiu do mar enrolado numa saída de praia e banguelo.
Lembrei-me do Zé quando aquela garotinha disse que já viu uns avós tirarem os dentes e as gengivas. Ele teve que fazer uma ponte móvel com seis dentes e agora é um ritual de tirar, escovar, colocar no copo com água. Os netos andam horrorizados, mas pelo menos estão ótimos para escovar os dentes. É só falar: ”se você não escovar direito, seus dentes vão cair, como os do vovô”.
Apesar de tudo e das definições como “a velhice não é uma batalha, é um massacre”, estar na “melhor idade” tem suas compensações. Por exemplo, não é preciso preocupações com o que seremos, pois já o somos. Nem ficar pensando com quem vamos nos casar e como conseguir um bom emprego. E tem pessoas que ficam mais charmosas e interessantes com a idade. Como escreveu Ruth de Aquino, colunista de Época: “a sociedade estabelece que idoso é quem tem mais de sessenta anos, mas é preferível empurrar o calendário pra frente. Hoje, para os sessentões, velho é quem tem mais de 80 anos. Os octogenários produtivos acham que velho é quem passa dos 90. No fim, velho mesmo é quem já morreu e não sabe”.
Ana Maria Coelho Carvalho
anacoelhocarvalho@terra.com.br
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Leitor disse:10/02/12 8:31
Sra. Ana Maria, eu discordo em parte do seu texto. Tudo na vida é relativo e tudo tem consequências. Afirmar o tempo todo que só “velhos” precisam de usar óculos? Tenha a santa paciência minha senhora! Como se diz, até criança…usa óculos! E depois dizer também para as crianças escovarem os dentes se não vão cair e vai ficar “banguela que nem o vovô”, isso não se deve fazer. Coloca um trauma muito grande. Devemos amar e respeitar os nossos idosos, afinal são eles o “Porto Seguro” do nosso país, não devemos usá-los como deboches e muito menos de banco para os nossos investimentos pessoais. Idoso no Brasil só serve para pagar as contas…! Infelizmente!
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João M. Malaquias Aposentado disse:10/02/12 12:16
Concordo plenamente com você leitor. Parabéns! Precisamos de pessoas de fibras como você para ajudar fazer justiça aos idosos. Respeito é bom e todo mundo gosta.
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Diógenes Pereira disse:10/02/12 13:10
Calma gente! Não se pode nem escrever uma crônica engraçada. Todos nós vamos chegar lá. Eu mesmo já cheguei no meio século e espero viver mais.
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marilia cunha disse:10/02/12 14:42
Tenho a certeza que a autora não teve a intenção de fazer qualquer crítica aos idosos. Com sua verve e espírituosidade apenas relatou algumas cenas que podem acontecer na vida real, sem o objetivo de causar polêmicas e nem provocar constrangimentos. Os idosos merecem apoio, cuidados e respeito.Sinto que Ana Maria também pensa assim. assim…
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Mário Borges disse:10/02/12 15:35
Ana Maria, parabéns pelo seu texto, é a pura verdade, difere pequenas coisas de pessoas para pessoas, sua narrativa familiar é perfeita, continue escrevendo para o Jornal, precisamos de pessoas assim, os ofendidos poderiam oferecer outras situações, por exemplo… senhores e senhoras com mais de 70 anos não precisa escolher em quem votar, não tem perigo de votar errado, já é muito bom para todos, outra coisa, ficar na fila e ser atendido em primeireo lugar.
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Wagner Satel disse:10/02/12 21:37
A melhor idade é aquela em que se viva feliz e com alegria. Portanto a idade pouco importa, mas comparando sobre os meus 42 anos vividos, percebo que vivi os meus melhores anos na minha infância, pois era livre, sem preocupações e apenas brincava.
Comentários (6)