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14/03/2012 7:38

Claudio: a grande perda

Seria impossível escrever qualquer coisa sobre este nosso Triângulo Mineiro sem contar a história do zebu. Aliás, em todo o Brasil e nas Américas, o zebu ficou marcado como a redenção e sobrevivência da nossa pecuária. Mesmo excluindo os milhares de toneladas da exportação – hoje riqueza na nossa balança comercial.

O que nós tínhamos antes do zebu não permitiria ao nosso povo o prazer e a necessidade de se comer carne. Foram os nossos antepassados aqui deste Triângulo que pela coragem e aventura foram às Índias – e aqui nasceu esta riqueza que somente o Brasil reconhece.

Aquela luta de mais de cem anos atrás ganhou batalhas contra os pregadores da carne europeia.

Consagrados vencedores – o zebu foi o único bovino essencialmente tropical – nós não ficamos estáticos nesta primeira vitória. O povinho deste pequeno nariz mineiro foi se espraiar por todo o enorme território desta enorme terra e enorme necessidade da sua proteína fundamental.

Com a previsão dos iluminados nós nos organizamos em tecnologia bovina, a certeza do trabalho na genética deste gado mágico. Por aí nasceu a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, com o tempo tornando-se ABCZ. Os grandes melhoramentos da tecnologia pecuária foram responsáveis por esta mágica do zebu moderno. Dentro da tecnologia entravam as famílias pioneiras: a luta pelo melhor sempre fez parte desta competição sadia e benéfica.

A história não era apenas ganhar prêmios em exposições, onde animais excepcionais chegavam com recursos alimentares e biológicos – e, às vezes, alguma ajuda individual de fenomenologia que depois o tempo não repetiria na descendência.

Por aí sobreviveram e serão eternas algumas figuras do estandarte ABCZ: Torres, Nenen Costa, Rubico Carvalho e outros tantos que ficam na memória. Ainda agora e cedo demais, deixou-nos o Claudio, que nunca teve a vaidade passageira das pistas e prêmios. Quando presidia a ABCZ eu ficava orgulhoso deste primo (pelo pai Gastão vindo da minha tia Chiquinha…).

Mais ainda: Claudio não batia tambor de suas qualidades – era simples e personalizado no seu trabalho e no seu gado, que neste momento chora uma certa orfandade. Sua mulher (prima pelo lado Torres…) e sua descendência vão continuar.

Estamos em grande crise mercadológica: o Triângulo e o Brasil curvam ante a invasão da nova e rápida agricultura, a pecuária vai-se pulverizando para o mais longe. Nada esperem da ordem e ação governamental. Sofremos grandes perdas, por aí foi exemplo o Claudio, de luta pela qualidade. Isto aconteceu em século e anos passados – e nós sobrevivemos mais fortes.

Se Cláudio estivesse aqui na roda, diria com aquela inconfudível, lenta e grossa fala: é nada não, gente… tudo passa, adiante será melhor… Grande, primo, nós lhe devemos muito!…

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba

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