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8/04/2012 0:50

Secretaria antidrogas

Na nossa avaliação, uma das mais importantes decisões do governo do prefeito Odelmo Leão Carneiro está sendo a criação da Secretaria Municipal Antidrogas, de uma abrangência muito maior do que qualquer construção física. É uma das teses que muitos defendem: que, neste século, o Poder Público terá mais a função de logística, de articulação, do que de execução de obras.

As famílias atualmente se preocupam mais com a prevenção contra a droga do que com o desemprego. Não há ninguém que não tenha conhecimento deste grande mal que está em todos os países e aqui, em nosso cotidiano, em todos os municípios brasileiros, fazendo parte do tecido de toda a sociedade, com muita tristeza – é o homem contra o homem. Na casa onde há um dependente químico o sossego acaba, passa-se a viver em torno do problema. Pelo tamanho do mal e da dor, o assunto não tem sido tratado como devia.

Odelmo tomou uma decisão que, por incrível que pareça, é pioneira. Uberlândia é uma das poucas cidades do Brasil a criar uma Secretaria com esta finalidade.

Em entrevista a este jornal, o prefeito explicou que a nova secretaria teria o apoio técnico da Secretaria de Curitiba e mencionou que “o crack piorou e que, segundo dados da regional da Polícia Civil, 80% dos homicídios cometidos na cidade estiveram relacionados com o uso e o tráfico de entorpecentes”. A boa relação da nossa cidade com Curitiba não é nova, começou com o plano diretor, o sistema de transporte… Essa sinergia tem que ser ampliada, as cidades brasileiras têm muito ainda para se modernizar.

A nova secretaria terá um grande desafio. Pela sua posição no contexto, acreditamos que a sua função deverá ser mais de logística do que de execução, porque temos muitas pessoas envolvidas e dispostas a contribuir e torcer para que tudo tenha muito sucesso. A droga – e a luta contra ela – permeia todas as atividades da sociedade, começando na família e indo até a segurança, da prevenção à repressão. Já temos bons trabalhos em Uberlândia, mas é uma área em que a demanda infelizmente aumenta. Essa nova estrutura terá muito que fazer.

A escolha do secretário é um fator de sucesso. O prefeito escolheu bem, por vários motivos: por ser um ano político, optou por alguém que não está filiado a nenhum partido, até porque o sucesso depende de todos, principalmente de instituições apartidárias. A própria criação da Secretaria Antidrogas é uma ação política de bom resultado.

A designação do delegado federal dr. José Pacífico para o cargo mostra a intenção do prefeito: Pacífico vem de uma instituição que tem mostrado atributos como compromisso, seriedade e muita dedicação, e não se irmana à politicagem que predomina no país. Ele é de Uberlândia, conhecido e respeitado por todos os setores da sociedade. Sua escolha já é uma garantia de que teremos um trabalho coerente e sério em uma área que não pode errar e muito menos ser tratada como instrumento de campanha.

O prefeito Odelmo está escrevendo mais uma página na história de Uberlândia. E pelos nomes citados pela imprensa até o momento como candidatos à prefeitura, o eleito manterá esta nova secretaria, porque é necessária e do interesse de todos. É por decisões como esta que Uberlândia ainda tem crescido com qualidade.

Hélio Mendes
Professor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br

Comentários (5)

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  1. Diógenes Pereira da Silva disse:08/04/12 8:22

    Professor Hélio, você disse o que muitos precisavam ouvir! Não pela grande iniciativa do Prefeito Odelmo, por que essa atitude vem de quem tem comprometimento com as famílias e deveria ser o norte da maioria dos municípios que têm abandonado sua sociedade. Mas, principalmente porque tocou em um ponto culminante e que vem sendo assunto recorrente neste espaço democrático: a liberação das drogas.

    Você, principalmente, motivado por palavras sábias disse: “sofrimento das famílias”. Pois é isso que acontece, quando se tem um dependente químico na família, todos passam a viver em função do dependente. E a sociedade também perde com o aumento da criminalidade, porque os índices de violência e da criminalidade não veem somente do tráfico, mas também dos usuários que para sustentarem os vícios roubam, furtam e comentem outros crimes.

    Quanto à Secretaria, para sua boa gestão dependerá do apoio da sociedade, de criação de grupos voluntários nos bairros. Sempre digo que as causas sociais e principalmente os projetos vencedores sempre têm o apoio irrestrito da sociedade. Não é diferente com a segurança pública que apesar de existir a previsão do art. 144, expressando de forma inequívoca que segurança pública é dever do estado e obrigação de todos, no entanto, o quantitativo do (todos) nunca se manifesta, com raríssimas exceções. E por isso, vivemos com os índices criminais nas alturas.

    A violência e criminalidade caminham juntas com o uso e abuso das drogas, liberar as drogas para que: “quem quiser drogar que se drogue até morrer, deveria ser revistos por seus idealizadores, principalmente em se tratando das pessoas que são, mentes brilhantes e de inteligência de raro trato.

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  2. Justus Broadcasting disse:08/04/12 8:27

    Uma secretaria em final de mandato, diga-se de dois mandatos, eleição e reeleição do prefeito atual. Um secretario aposentado da polícia federal, que num primeiro momento não aceito ser secretario “Primeira notícia no Jornal Correio” quando tudo já estava combinado que o mesmo seria, ou seja, jogo de cena. Em uma cidade que pelo tamanho e pelo inchaço populacional que vem apresentando, perde dia a dia sua qualidade de vida… Pois os orgãos públicos de segurança, educação, saúde, judiciário e vão perdendo a capacidade de prestar um serviço de qualidade, frente a demanda cada vez maior, já que a anos e anos tem se mostrado os mesmos, na logística física e humana e no próprio capital intelectual. Ou o professor, com todo o meu respeito, está falando de outra cidade que não seja Uberlândia… Ou o mesmo tem analisado nossa cidade baseado em números irreais divulgados pela prefeitura, como os últimos em relação a saúde, que nem de longe não chegam perto dos apresentados pelo Ministério da Saúde no mês passado, não se levando em conta números e fatos reais consumados? Ou o professor tem uma amizade de longa data com o Prefeito, para tão tênue discurso? Ou o professor é candidato, provocando assim o eleitor e a sí próprio a uma campanha extemporânea? Mais uma vez colocando minhas desculpas, discordo do professor, não lhe conheçendo, mas imaginando que devamos ter a mesma formação acadêmica… Imagino o senhor falando de uma outra cidade que não seja a nossa, que só para lembrar, tem um homício a cada dois dias… Filas em todo o sistema de saúde, municipal e federal, já que o estado inexiste neste conceito. Fila na educação municipal e estadual, tanto quanto na educação especial. E um judiciário que não foge aos padrões nacionais em nada. Um sistema viário a muito obsoleto, radares e multas em excesso impostas aos nossos motoristas… Campanhas de educação no trânsito a muito esquecidas, tanto para os antigos, como para os novos motoristas arremessados neste trânsito violento. E para finalizar o assunto, que daria discussão para o mês… Qualidade de vida municipal, somente no gabinete do prefeito, onde o mesmo faz dueto com a companheira. Ele prefeito e ela secretária… Pode até ser legal, fica a dúvida se é moral? Com certeza o professor não acredita em papai noel, gnomo, rena… Por causa de uma secretaria que a cidade a muito precisava, mas que implantada em final de mandato e meramente um marketing político para as próximas eleições, fica uma dúvida no ar? Qualidade de vida, vai ficando cada vez mais distante na nossa cidade… Se tamanho e inchaço populacional fosse documento, São Paulo, seria número 1 em tudo e a realidade não a deixa ser! Não confundamos “grande” com grandeza… Uma cidade grande estamos construíndo, não resta dúvidas… Quanto a grandeza dos números que compoe e estão construindo a nossa qualidade de vida, já é um outro assunto.

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    • Justus Broadcasting disse:08/04/12 8:32

      Em tempo: onde escrevo – aceito – desculpas aos leitores… Leia-se aceitou.

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  3. marilia cunha disse:08/04/12 18:05

    Acho que no Brasil tudo se faz atrasado, deixa-se o ladrão entrar para depois trancar a porta. Mas antes tarde do que nunca.As nossas autoridades devem ter percebido o aumento da criminalidade em Uberlãndia, na maior parte dos casos devido ao uso de drogas e houveram por bem
    institucionalizar o problema, criando a secretaria.Parabéns! antidrogas. parabéns. antidrogas.

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  4. Severo Gomes disse:09/04/12 17:31

    Isso não passa de propaganda eleitoral e um novo espaço para o chamado cabide de empregos. O sistema está falido, só com apoio irrestrito das forças armadas no primeiro momento para lograr êxito. Depois se discute formas de recuperar “quase irrecuperável ser que droga” e a regulação e liberação da venda e uso das drogas. Isso lembra a tal indústria da seca, escoadouro de $$ público.

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