Maldito cargo de vice?
Uma suposta maldição contra o cargo de vice-prefeito em Uberlândia não tem cabimento. Mesmo porque, aquele que se torna vice já toma posse ciente de que só poderá vir a ocupar o cargo de prefeito em ocasiões extremas, qual seja: por doença ou falecimento do titular; por viagens para cuidar de problemas de interesses do município, entre outras situações. O vice tem mais é que deixar rolar para ver como é que fica, pois quem foi realmente votado para ser prefeito não foi ele, mas seu companheiro de chapa eleitoral.
Em um terceiro ponto: somos levados a convir que não há maldição ou outra “ação” qualquer que possa ser considerada de azar para o cargo de vice-prefeito. Por serem os candidatos a vice pessoas esclarecidas, competentes e que, em aceitando o jogo político, já sabiam, de antemão, sobre quais seriam os seus limites em vista do mínimo desempenho a ser prestado. É possível que seja esta uma das razões pela qual os ocupantes desta função jamais reclamaram de má sorte. Mesmo porque, há ainda em relevância um fato de primeira ordem: o vice recebe bons salários em cima da pinta… Achamos que o cargo de vice-prefeito poderia ser considerado uma dádiva de Deus. Ora, poderia ser também uma dádiva ainda mais abençoada se o cargo de vice-prefeito estivesse sendo preenchido por cidadãos igualmente competentes e preparados para o exercício da função, mas… Que estivessem precisando contar, verdadeiramente, com melhores salários.
Ora, no caso em que o vice-prefeito estivesse dependendo destes salários, inclusive para a sobrevivência também da esposa e filhos, haveria certamente mais empenho pela política eleitoral e o interesse notório pela cobiçada poltrona ocupada pelo prefeito. Também, se nenhum por estas plagas conseguiu o privilégio de alcançar este posto administrativo, a causa perdida não pode ser levada como maldição para o cargo de vice-prefeito. Os especialistas em política sabem bem de onde vem esta causa, mas não dizer que ela “é coisa que não valeria a pena”. Vale dizer, também, que todos os cidadãos que foram elevados ao cargo de vice-prefeito, aqui nesta bondosa cidade de Uberlândia, já estavam cansados de saber que este cargo não dá ibope; nem oferece vantagens eleitorais, como já dizia antes o especialista em política, Zé Abadio!
Mas, no contar das favas, é bom dizermos sobre a competência dos nossos administradores. Todos, desde Zé Fonseca até Odelmo Leão. Mas, a par da realidade em que as ações administrativas são de alçada do prefeito, os vices ficam de pés e mãos atados, impedidos ou à margem das decisões administrativas. Daí, tanto faz que eles estejam em seus gabinetes como em férias de 48 meses lá pelos pantanais afora, pois (já foi escrito acima) o jeito que eles têm é mesmo este de deixar rolar para ver como é que fica, enquanto os prefeitos vão fazendo suas cidades crescerem mais ou progredirem mais como estamos vendo hoje no transcorrer desta admirável administração Odelmo Leão.
Conta-se, também nos meios de discussões sobre política, que o cidadão José Pereira Espíndola foi, entre todos, o único que dispensou o recebimento de seus salários como vice-prefeito. Ora, outros que ocuparam esta função antes e depois de Espíndola, todos estavam ainda melhores das pernas: Pobres, mesmo, nenhum! Então, como falar sobre maldição em cima de um cargo que só vem sendo ocupado por cidadãos de posses elevadas? E era só.
Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)
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