Conflitos por terra II
Opiniões divergentes fazem parte da democracia e são extremamente importantes para provocar debates, às vezes polêmicos e acalorados. O inciso IV da Constituição de 1988, garante a livre manifestação de pensamento e o V, o direito de resposta. Neste sentido, quero pontuar alguns aspectos em relação ao ponto de vista do produtor rural Osmar Fernandes Peixoto, publicado no CORREIO de Uberlândia no dia 13/4.
1°) Como advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Uberlândia, não posso ser TENDENCIOSO. Meu artigo simplesmente propõe a discussão de uma das questões mais candentes da história do Brasil: a concentração fundiária e seus efeitos perversos.
2º) Reiteramos em nosso artigo que cabe ao poder público atuar no equilíbrio da sociedade. Para isto existe o Estado e, neste sentido, a questão agrária tem sido postergada governo após governo.
3°) Registre-se que o primeiro conflito por terras neste país ocorreu quando Cabral aqui chegou e se apossou, em nome do Estado Português, das terras que já possuíam donos: os índios. Não nos esqueçamos de que o processo de colonização da Espanha e Portugal em terras de além-mar se deu por meio de um genocídio jamais visto na história da humanidade.
4°) Este processo só pôde ser viabilizado pelo sistema capitalista, então em seu nascedouro e ávido por lucro. Neste sentido, as mazelas deste sistema econômico refletem-se nos milhões de brasileiros e brasileiras que vivem abaixo da linha de pobreza e são espoliados e excluídos de todas as benesses que nos proporciona este sistema: acesso à moradia, à educação, lazer, saúde, segurança etc., que aliás são deveres precípuos do Estado.
5º) Nesta perspectiva, a concentração de terra no Brasil levou a outras concentrações de riquezas em vários ramos da economia, mas a minha questão no artigo proposto era apenas discutir a questão fundiária. A pirâmide social brasileira é reveladora do monopólio econômico, embora progressos significativos tenham sido alcançados nos últimos anos. É insuportável pensar que a quinta maior economia do mundo – a brasileira – alberga na sua sociedade aproximadamente 30 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. O neoliberalismo, enquanto política econômica adotada por quase todos os países do mundo nos anos de 1980, e implementado no Brasil nos anos de 1990, flexibilizou a legislação trabalhista retirando direitos históricos conquistados em árduas lutas engendradas pelo movimento trabalhista; centenas de empresas brasileiras fecharam as suas portas em decorrência dos pesados impostos e da concorrência de produtos estrangeiros altamente competitivos; a carga tributária impede que o capitalismo produtivo, gerador de empregos sucumba ao capitalismo especulativo responsável por lucros exorbitantes e pela sangria de parte da população totalmente vulnerável.
6º) Em momento nenhum em meu artigo levantei suspeitas sobre os envolvidos nos assassinatos. Isto compete à Justiça. Portanto, creio que o senhor Osmar tenha-se equivocado em sua leitura.
7º) E, por fim, tenho a certeza de que este debate seja extremamente salutar pois provocará reflexão por parte da sociedade brasileira, envolvendo todos os seus atores sociais em busca de propostas que inviabilizem a proliferação das tantas vergonhas enumeradas pelo senhor Osmar e apontem caminhos em direção da consolidação do Estado Democrático de Direito e que realmente projete a nação brasileira no concerto internacional.
Adriano Zago – Advogado
Uberlândia (MG)
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LAURA disse:30/04/12 13:04
EU ACHO QUE O NOBRE VEREADOR OU ADVOGADO JÁ NEM SEI MAIS O QUE DEVERIA SE PREOCUPAR COM OS DEVERES QUE TEM PARA COM O POVO DE UBERLÂNDIA ANTES FICAR PERDENDO SEU PRECIOSO TEMPO (DIGA-SE DE PASSAGEM, PAGO PELO POVO DA CIDADE) EM FICAR DEBATENDO OPINIOES DIVERGENTES AO SEU PONTO DE VISTA.
NÃO ADIANTA FALAR QUE ESTA AFASTADO DE SUAS FUNCÕES, POIS O SALÁRIO ESTÁ TODO MÊS EM SEU BOLSO.
PORTANTO FALE MENOS E TRABALHE MAIS.
POIS AFINAL VOCê É PAGO PARA ISTO.LAURA VILELA
ESTUDANTE DO V PERIDO DO CURSO
DE DIREITO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE UBERLÂNDIA.-
Jobocas disse:30/04/12 17:17
Cara Laura, infelizmente este senhor descobriu este espaço democrático para fazer proselitismo político. Vem com esta conversa de capitalismo e neoliberalismo para enganar trouxas e se esquece do que é o socialismo em Cuba em outros lugares obscuros do planeta. Acredito que estamos dando atenção a nada.
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Adriano Zago disse:30/04/12 22:55
Laura debater assuntos de interesse do nosso pais, também faz parte do meu trabalho. Pois, e por meio dos debates que instrumentalizamos ações e fortalecemos a democracia.
Quanto ao meu trabalho especificamente, coloco-me a sua disposição para prestar-lhe conta do meu mandato, nao obstante estar publicado tudo no meu site.
Ademais e, considerando que e uma acadêmica do direito, coloque o assunto em discussão com a turma e professores e concluirá que o tema em questão reclama por um debate amplo.
Esse e objetivo do artigo: provocar o debate!
Atenciosamente
Adriano Zago.
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andrizia catani disse:26/06/12 16:04
isso não presta…ok??
Comentários (4)