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9/05/2012 8:28

A grande expo-Uberaba

É desnecessário qualquer comentário sobre a grandeza e significado da nossa grande festa do zebu aqui de tanta tradição. Já se vão muitos anos desde que o nosso gado ganhou nossas pastagens, nosso clima e uma ecologia especial que o gado europeu não conseguiu competir – o zebu é a mágica tropical na produção de carne e ainda agora investindo na competição do leite. Foi aqui, neste nosso Triângulo, que tudo aconteceu, lá no início do século passado. O grupo daqueles bandeirantes que foram à Índia tem seus nomes gravados e indeléveis junto à nossa bandeira. Foram criticados, esta aqui era uma terra de roceiros despreparados etc. e tal…, mas o resultado está agora definitivamente consolidado: zebu é o boi dos trópicos. Segundo tempo: aqueles pioneiros enfrentaram críticas e resistência de outras pecuárias e até governamentais. Tiveram que se defender e provar valor e solidariedade. Desde cedo, criaram o livro das distintas raças indianas, depois a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, depois a definitiva Associação Brasileira – nossa ABCZ, hoje a maior associação da pecuária nacional. Aqui é a sua sede e aqui se passaram os acontecimentos e lutas históricas, hoje vencidos. Porém esta Casa não ficou dormente sobre seus louros e conquistas. Seu nome e sua responsabilidade tiveram obrigação de atuar em toda a vida dos homens do campo, não apenas do zebuzeiro. Programas do governo, pressões como aquela terrível moratória dos anos 40, nossa presença firme perante arbitrariedades… de passagem, eu me lembro de estar na praça dos Três Poderes, em Brasília, com nossa multidão de companheiros, gritando o protesto da opressão política e suas medidas – o Ronaldo Caiado com força total. Seriam necessárias páginas, e não uma crônica sobre os passados desta Casa em que amigos me colocaram presidente por três vezes – não sei se serviço militar ou bomba colegial… Chego agora à idade da pura observação da vida passada, das conquistas, do futuro, talvez. Como ABCZ, esta Casa tem sua vida definida e consolidada – não apenas nestas exposições, mas também na sua vida em prol de melhorias tecnológicas e estudos universitários de nossa ganaderia. Entretanto, sinto uma certa falta daquela participação humana e guerreira nos atos e projetos do governo, como na vida dos fazendeiros. De passagem, apenas, que tal uma comissão de visita e avaliação da demagógica reforma agrária, que nada mais tem sido que invasões, ocupações, explorações financeiras e políticas? Eu ou nós conhecemos por terra as múltiplas fazendas e até pequenos fazendeiros espoliados e expulsos… a tal ponto que virou negócio “vender” a terra para assentamentos. No barato, o que devia ser obrigatório nunca foi apresentado: uma resenha histórica, completa e abrangente de todos os projetos assentados pela tal Reforma. Simples, quem recebeu terra e dinheiro, até sementes, gado, escolas… e a revisão atual: quem está na sua gleba, vivendo, produzindo, justificando o projeto político? Nós todos – e por aí a ABCZ – sabemos quanto de fracasso, roubos, violências e enganos aconteceram e estão acontecendo protegidos por demagogias sociais e políticas. Infelizmente, vamos coçando o pelo e gorduras dos nossos campeões superproduzidos. Pergunto, melancolicamente, onde estão aquelas famílias de nossas fazendas que fizeram este gado, esta festa, esta ABCZ…

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico – Uberaba

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