“Taxas mais em conta”
Estivemos lendo, em um determinado órgão de comunicação, uma nota pública dando explicações sobre a existência de velórios municipais nesta cidade. Ficou então bem claro, por meio daquela respectiva nota, que – “Em Uberlândia possuímos velórios municipais à disposição da população no Cemitério São Pedro”. Para sua utilização, foi também explicado: “basta que a pessoa solicite o seu uso pagando as taxas devidas, que são bem em conta” – Uau!… Estamos comentando sobre esta nota, unicamente pelo fato de entendermos ser ela de alta valia para milhares de cidadãos, que, embora já antigos sabedores da existência dos referidos velórios, ainda não entenderam o fato de serem eles tão raramente requisitados, quando se sabe ser grande a parcela de pessoas de parcos recursos, que, ao perder seus entes queridos, passa por dificuldades financeiras nestas horas de dor e sofrimento. A saber agora que as taxas a serem pagas nos velórios municipais “são bem em conta”, aí está em tão boa hora o valor social e fraternal da então citada explicação pública. Mas, para o “nosso” cientista político Zé Abadio, o resultado final desta apreciação seria este: “Pena maior é não termos velórios estadual e federal, pois, com o aumento da concorrência, as referidas taxas cairiam ainda mais e isso seria uma dádiva, principalmente para as famílias pobres, que tanto pelejam nestes tempos de vacas magras ou de dinheiro curto!“.
Deu até para lembrar daquele vereador “almofadinha”, que não perdia um velório. Para ele, pouco importava de qual família procedia o cara defunto. Acima de qualquer outra coisa, sua presença estaria valendo mais alguns votos. De uma feita, lá estava ele sem saber nem mesmo o nome do coronel de fazenda que havia cometido suicídio. Mas, como o vereador velhaco ali estava para fazer média com os parentes e amigos do falecido, ele se mostrava dos mais condoídos à beira do caixão. Com aquele jeito de quem acende uma vela para o santo outra para o diabo, ao apresentar seus pêsames para a chorosa viúva, assim se expressou: “Dona Dazinha, ele tomou foi Formicida Tatu, foi?”. Em prantos incontidos, a viúva responde: “Não, vereador, foi não… Nós nunca tivemos Formicida Tatu em nossa casa, ele tomou foi Aldrin, vereador!”. Abraçando-a, o competente vereador detona uma segunda via, ainda pior: “Também é bom, dona Dazinha, também é muito bom!…”.
Outro ponto que veio à tona, depois de tudo quanto já foi dito acima, é este passado também aqui em Uberlândia, quando a cidade ainda contava com uma população bem pequena. Eram duas as tradicionais empresas funerárias concorrentes e que se esforçavam em duras lutas de trabalho, cada qual querendo estar prestando mais serviços funerários. No entanto, não havia concorrência desleal, era uma luta de empenho pela sobrevivência das respectivas empresas, mas… Sem inimizades, atropelos ou rancor entre as partes. O povo optava pelos bons serviços desta ou daquela, uns ficavam com a funerária do tradicional e saudoso cidadão Ângelo Cunha, outros, com a empresa do também tradicional e saudoso uberlandense Hermógenes Chaves. Coisas sérias à parte, vale dizer que, certa vez, pudemos ouvir de um dos referidos empresários um ponto de vista interessante e que merece ser contado, novamente, mas… apenas como simples fato – dado e passado – de nossa história. Ele assim se expressava: “Bem, não quero que ninguém morra, mas… não desejo ver minha empresa fechada!”.
Alberto de Oliveira – Jornalista
Uberlândia (MG)
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