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9/06/2012 8:35

Mas… Que coisa é esta?…

Que coisa feia, criaturas de Deus!… Você vota no candidato para ser defensor dos legítimos interesses da coletividade, mas… quando está ele no exercício da atividade representativa, torna-se político de seus próprios interesses e, pior ainda, pode até aprender com aqueles “políticos” inescrupulosos, que já aprontaram, como no caso do mensalão.

Como é que se carrega dinheiro nas malas, nas meias, nas cuecas e em outros lugares? Há também o perigo de que aumente mais o número de “alunos” que vão tornar-se perigosos e aptos para abocanhar, de formas também criminosas, o dinheiro público. Isto pelo fato de que os espertos da ladroagem, quando detidos, o são por um tempinho apenas.

Nesse tempinho, há para eles um bom descanso e a certeza de que poderão voltar em breves dias às suas atividades com as mesmas caras de pau. Ora, apesar de todas as lambanças praticadas, são eles detidos, porém levados para locais especiais com aparelhos de televisão, geladeiras cheias, ar-condicionado, cama e comida das melhores.

É isso aí: locais de mordomia até bem parecidos com aqueles onde possam ficar concentrados para suas apresentações os mais festejados reis do futebol; reis cantores ou reis dos autódromos. Estes, sim: são profissionais honestos que ganham montões de dinheiro, mas… que procuram fazer a alegria de um povo sofrido em suas mais duras penas…

Coisa esquisita e triste ao mesmo tempo é quando vemos alguns animais sendo menosprezados, enquanto outros se deleitam com a generosidade vinda das mansões e, assim, vão comendo do bom e melhor como mereceriam também os denominados cães vadios. Mas este fato jamais acontecerá. Uns continuarão vivendo na mordomia; outros a perambular pelas ruas em busca das migalhas que caem ou dos restos já apodrecidos…

Ora, dirão muitos: “A vida é mesmo assim, felizes são os acolhidos nas casas abastadas e que são tratados até com exageros!”. Ora, na telinha apareceu um destes felizes cãezinhos cuja proprietária decidiu que deveria levá-lo ao compromisso “sagrado” do matrimônio; que deveria amarrar os seus panos de luxo com os de uma bela cadelinha ali do pedaço.

E isto foi dito e feito. Ao som de uma marcha harmoniosa, entra pela passarela o cãozinho-noivo. Vinha ele de causar inveja a qualquer cãozinho milionário, mesmo que fosse ele mais letrado e capaz de receber seu dono com sorrisos e latidos. Vinha ele de terninho azul, gravata borboleta e sapatinhos branco, de veludo. A cadelinha-noiva, com vestidinho branco com estrelinhas de cristal e grinalda, esta envolta com flores cor-de-rosa…

Chegada a hora em que o casamenteiro dizia aquela frase de exortação: “até que a morte os separe”, havia ali um bom número de pessoas chiques. Mas que coisa esquisita é esta, onde cães e cadelas, depois de tantos festivais “socialites”, ainda podem ficar desrespeitando as leis do trânsito?…

Que coisa moderna é esta, quando os cãezinhos recém-casados em desfile de automóveis pelas avenidas passam sorrindo e latindo para todos nós humanos e bobocas? Que coisa fora das leis do trânsito, também, quando festivamente vão eles com grande parte de seus corpos para fora dos veículos a exibir suas orelhas enormes e os brincos em ouro de aluvião, cravejado com pedrinhas preciosas…

Mas, neste final de relato, em um dos carros em desfile, a televisão mostrava uma cena lamentável, deprimente, de provocar arrepios! Eram crianças famintas, esqueléticas, desnutridas, com os seus olhos tristes e perdidos lá no distante, em busca do nada ou de coisas inexistentes…

Na realidade, elas já não tinham forças nem mesmo para estender suas mãozinhas para implorar a caridade pública, quanto mais para sonhar com os cavalinhos de vitrines, expostos ali em um país com seus tristes e indefinidos contrastes… Ora, dizem que há também crianças faveladas, doentes e desnutridas neste nosso país de dimensões continentais… Será se elas existem?…

Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)

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