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19/06/2012 9:15

Da instituição pública à sociedade

A falta de reconhecimento quanto à importância da comunicação numa organização pública dificulta um dos papéis mais importantes da área da comunicação: o diálogo entre a instituição e a sociedade. Tal situação prejudica o posicionamento da instituição com seus públicos e contribui para que seu conceito seja formado à revelia.

Na maioria dos casos, as ações de comunicação nas instituições públicas são executadas de maneira isolada e o componente de comunicação é sustentado pelo componente político. Para esse questionamento, que parece não só acometer a área de comunicação, o ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Sérgio Ferreira, não poupa as críticas.

Em seu artigo “Ciência não muda curva de pobreza”, ao apontar os problemas que emperram o processo educacional e o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro, ele observa que, “frequentemente, não se escolhem as pessoas mais competentes para as posições chaves, mas sim as que servem a esquemas de sucesso político individual ou partidário. Muitas vezes é pior que isso: escolhem-se amigos, parentes ou colegas de partido que pouco entendem do assunto”.

Essa conduta fragiliza qualquer área. No processo de comunicação, por exemplo, pode nascer o equívoco de que a comunicação deve estar a serviço da imagem de seus dirigentes ou de setores específicos, ofuscando a verdadeira função da comunicação – levar à sociedade todas as informações de interesse da população.

Jorge Duarte, diretor do Núcleo de Comunicação Pública da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, no artigo Instrumentos de comunicação pública, diz que para os detentores momentâneos do poder, “comunicação, ainda e infelizmente, é considerada apenas um tipo de concessão paternalista, de angariar apoio, instrumento de persuasão, manipulação, sedução, para disputa ou manutenção do poder [...]. E que “[...] A frase ‘nossa comunicação não funciona’, típica nas organizações, adquire, assim, o significado de ‘não estamos conseguindo convencer as pessoas’”.

Outro problema na área de comunicação é a descontinuidade administrativa provocada pelas alternâncias de poder. A professora da USP Margarida Kunsch, em seu livro “Universidade e comunicação na edificação da sociedade”, chama a atenção para essa inquietação: “[...] a simples troca da cúpula diretiva costuma ensejar o desmoronamento de todo um setor antes montado, com atividades já em andamento e, às vezes, até com resultados comprovados”.

Esse cenário mostra a necessidade de a área de comunicação assumir seu caráter público e pluralista, institucionalizar e profissionalizar suas ações e agir como uma ferramenta que contribua com a legitimação da existência das instituições públicas, mantidas pela própria sociedade. Ao externar suas ações, as organizações públicas estão exercendo uma prestação de contas dos recursos investidos nelas, além de contribuir com a formação da cidadania.

Portanto, a comunicação numa instituição deve se nortear ao interesse público, tendo como um dos principais objetivos o relacionamento contínuo com o cidadão, para que o seu conceito se estabeleça como um setor produtivo e comprometido com o desenvolvimento do país.

Dalira Lúcia Cunha M. Carneiro
Jornalista/Doutoranda em Educação pela UFU

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