Pacificando as drogas
É fato que o problema de drogas em nossa cidade está absurdamente incontrolável. Não consigo entender como as autoridades assistem passivas ao crescente número de mortes a cada fim de semana. Cá para mim, costumo pensar que, enquanto eu e outros cidadãos comuns nos vemos diante de um show de horrores, as autoridades, muito embora digam o contrário, sentem-se como diante de um plácido quadro de paisagens agradabilíssimas; se não tão poético, digamos estatisticamente aceitável.
É irônica a perspectivas que se apresenta diante de algumas ponderações de certas autoridades sobre a realidade do consumo de drogas, por exemplo: buscam entender e “ajudar” drogado, mas não a família do mesmo. O viciado é uma ilha? Claro que não, senhores. A maioria daqueles que são dependentes químicos tem famílias que sofrem e padecem o dissabor de ver seu ente querido sucumbir ao amargo, profundo e martirizante vício sem a mínima chance de se recuperar. Temos clínicas de recuperação? Temos médicos, psicólogos, psicoterapeutas? Temos sim! Temos até propagandas dos bem-vindos movimentos contra o uso de drogas… O que não temos é um aparelho adequado para ajudar os dependentes e suas famílias a se desvencilharem do cruel mundo das drogas. Urge, pois, pacificar mentes e corações e aí eu tenho minhas dúvidas se os agentes policiais estão preparados para essa tarefa social.
Nas clínicas de Uberlândia, sabem o que vejo? Profissionais que recebem o doente químico já desacreditado de sua recuperação; é apenas mais um que chega, provavelmente, fadado ao fracasso no tratamento. Não há uma preocupação efetiva, prática, continuada e, sobretudo, eficaz no sentido de cuidar da família do dependente, de formar um vínculo entre a instituição e a família, ambas abraçando o viciado num processo de consciência, tratamento, recuperação e descoberta da “raiz do problema”. Se há preocupação, não há condição.
Eu falo com conhecimento de causa. Sou irmão de um dependente e lastimo ver que o sistema o trata como um caso já perdido… Uma escória da sociedade. Sabe o que é ridículo? Ele, meu irmão, funcionário público, paga impostos, mas, acreditem, isso não muda nada no interesse de ajudá-lo a se recuperar. Efetivamente, nada. Ele é caso perdido para o nosso sistema que aposta na autoiniciativa do dependente para se recuperar.
Tanta propaganda para nada! Tem até gente de fora dando “pitaco” em como devemos tratar nossos dependentes e administrar as clínicas aqui existentes… É fácil falar quando não se vive o problema… De longe é tão fácil opinar!
Entremeio, só podemos pensar em segurança pública de qualidade, quando a origem dos problemas, no caso, as drogas e seus usuários forem tratados com a atenção e o respeito que merecem. Pacificar as drogas, não necessariamente se trata de descriminalizá-las. E, num jogo de palavras, quero dizer: de modo bem pacífico, muito menos criminalizá-la mais do que já é. Pacificar as drogas é assumi-la como caso de saúde pública. É muito cômoda a opção do autointernamento. O presente modelo pelo menos até agora não tem se apresentado satisfatório. Do contrário, não escreveria este texto tal qual chapado pela sinestesia do crack, quero dizer: com um sorriso amargo.
Enquanto isso, assistimos à morte de viciados, já, aos olhos da maioria, enquadrados como vítimas da seleção natural. Morrem uns, nascem outros e o processo continua. Se há um pico na estatística, tem-se a média para atenuar.
Iolano Donizeth Guimarães
Uberlândia (MG)
eletronica_ac@hotmail.com
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Diógenes Pereira da Silva disse:20/06/12 9:12
A dimensão do problema do uso das drogas comprova o tamanho do desafio das autoridades, sociedade e, principalmente para saúde pública no Brasil. Além disso, este assunto também é refletido nos demais fatores da sociedade por sua relação comprovada com os agravos sociais, tais como: acidentes de trânsito, violência domiciliar e crescimento da criminalidade violenta.
É muito comum lermos, assistirmos ou ouvirmos pessoas não medidas e sem conhecimentos técnicos, profissionais e específicos fazerem críticas a favor da descriminação das drogas, dimensão crucial mecanizada e não humanizada, oprimida e desprezada da apreciação da sociedade. Acredito que à medida que a consciência social for entendida como momento de reflexão profunda, consiga com caráter prático e sem prévias ideologias deixar de ir de encontro ao bem estar da sociedade.
Muitos setores da comunidade já perceberam a importância de participarem aumentando as ações de combate às drogas em conjunto com os órgãos de defesa do estado, essa é uma atitude louvável, porque somente os órgãos estatais, não serão suficientemente para combater as drogas, é preciso da mobilização da sociedade, só assim, será possível a recuperação de dependentes químicos e sua reintegração na sociedade e, principalmente evitando-se que novos adeptos tornem-se usuários.
Não se esqueçam! Mude o que pode ser mudado, aceite o que não pode e não deve ser mudado. Somos todos aprendizes do saber viver, procurando sempre melhor qualidade de vida, com objetivos que nos guie para mais próximo da sabedoria salutar, do aprendizado contínuo, das metas a serem alcançadas, mesmo com desígnios antagônicos, mas o mais importante: diga sim para a vida, não para as drogas. -
kamilly patti silva ferreira disse:13/11/12 18:51
esse texto e mesmo interressante ele ate me ajudou a fazer um trabalho de historia briigada lolano donizeth guimaraes
Comentários (2)