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30/06/2012 8:51

Dinamismo competitivo na telecom

O Fórum Econômico Mundial aponta o Brasil na 53ª colocação no ranking dos países que melhor promovem a competitividade das empresas. O resultado contrasta com a relevância internacional do país. Recentemente, o britânico Centre for Economic and Business Research apontou que já tomamos do Reino Unido o posto de sexta maior economia. Os dados corroboram algo que presenciamos no dia a dia do ambiente empresarial. Nosso país tornou-se um importante player, mas ainda temos muito a fazer para explorar plenamente o potencial do nosso mercado.

As telecomunicações são parte deste contexto. O Brasil se tornou a quinta maior rede de internet e o oitavo maior mercado de tecnologias da informação e comunicação (TIC). O vigor do mercado interno abre espaço para expressivos avanços nos próximos anos, o que pode ser ainda mais fortalecido por meio do estímulo à maior competitividade no setor.

As telecomunicações são um importante pilar do desenvolvimento brasileiro. Se no passado o crescimento era pautado principalmente pelo que acontecia no Sudeste e Sul, hoje os estados das demais regiões também ganharam importância e destaque. Neste cenário, precisamos pensar em condições eficientes de interligar todos esses mercados regionais emergentes.

A demanda por mais competitividade, entretanto, não significa que inexista competição. Sem nenhuma insinuação à violência, penso que se Sun Tzu fosse – em pleno século 21 – escolher uma arena para colocar em prática o que escreveu em “A Arte da Guerra” sobre estratégia e tática, ele optaria pelo palco das telecomunicações. Arrisco dizer que nenhum outro setor ou arranjo produtivo seja tão competitivo quanto este e, por isso, as empresas se pautam em estratégias arriscadas e que buscam surpreender a concorrência cada vez mais.

O apoio à competitividade se faz necessário, por exemplo, para ampliar as opções em telecomunicações para pequenas e médias empresas, um dos motores do crescimento do PIB. Medidas como estímulo ao compartilhamento de redes das concessionárias e novas regras para a entrada de novos players em telefonia celular via MVNO são importantes para que nichos de mercado possam ser mais bem atendidos.

A competitividade no setor também passa pela criação de novas regras que favoreçam o desenvolvimento de inovações por parte das médias e pequenas companhias do setor. A Lei do Bem possibilitou um maior financiamento por parte das empresas em pesquisa e desenvolvimento, mas ainda são necessárias regras que diminuam a carga tributária e desburocratizem a rotina dos players emergentes em telecom.

Certamente, as medidas de apoio à competitividade em telecomunicações criarão condições para o desenvolvimento de soluções, inclusive, que mantenham o atual avanço dos indicadores de atendimento aos usuários e da criação de produtos e serviços mais sustentáveis. Conforme escreveu Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, aquele que se empenha em resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Nosso desafio atual é garantir o pleno desenvolvimento da área de telecomunicações antes que, no futuro, tenhamos que pensar em medidas emergenciais para a solução de problemas que já estavam previstos.

Divino Sebastião de Souza
Engenheiro e presidente da Algar Telecom e do Conselho Consultivo da Telcomp

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